Poesia Eterna – Luz na noite escura
(Recanto de poética dedicado à obra de S. João da Cruz)
Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro
CATARATAS NO SENTIDO*
Oh! quem pudesse aqui dizer
quão impossível é à alma que tem apetites
julgar das coisas de Deus como elas são!
Porque, para acertar a julgar
as coisas de Deus,
há-de-se deitar totalmente fora
o apetite e gosto,
e não as há-de julgar com eles;
porque vir-se-á infalivelmente a ter
as coisas de Deus por não de Deus,
e as não de Deus por de Deus.
Porque, estando aquela catarata e nuvem
sobre o olho do juízo,
não vê senão a catarata,
umas vezes de uma cor
e outras de outra,
conforme elas se põem;
e pensa que a catarata é Deus,
porque não vê mais que a catarata,
que está sobre o sentido,
e Deus não cai no sentido.
E desta maneira,
o apetite e gostos sensitivos
impedem o conhecimento das coisas altas.
(Chama 3, 73)