Os dinamismos da fé na evangelização da cultura
A cultura, em sentido amplo, designa tudo aquilo que ajuda a desenvolver as capacidades do ser humano, a tornar mais humana a vida social, tanto na família, como na comunidade civil e, através da história humana, exprime, comunica e conserva, nas suas obras, as grandes experiências espirituais e aspirações, para que sirvam ao progresso da humanidade (cf. GS 53).
Para o desenvolvimento da cultura importa ter em conta não só as condições mínimas julgadas necessárias à vida humana (emprego, direito à saúde, luta contra a pobreza…), mas vencer também as várias formas de pobreza cultural: em caso extremo é o analfabetismo, mas a ausência ou escassez de oportunidades de formação e a exclusão da vida social e cultural são outras formas de pobreza cultural.
O Papa Francisco alerta-nos para o perigo que existe na rutura entre a fé e a cultura ao afirmar na Alegria do Evangelho que não devemos ignorar a enorme importância que tem uma cultura marcada pela fé, porque, não obstante os seus limites, esta cultura evangelizada contém valores de fé e solidariedade que podem provocar o desenvolvimento duma sociedade mais justa e mais crente (cf EG 68).
Peço à Comissão Diocesana de Cultura que promova a inculturação da fé e a evangelização das culturas com ações que provoquem o encontro e o diálogo, de preferência em espaços públicos, utilizando sempre uma linguagem acessível e simples, compreensível pelas novas culturas e que facilitem a abertura ao encontro do transcendente e estimulem o desejo e necessidade de formação.
O modelo da nossa padroeira Santa Joana Princesa deve ser fonte de inspiração para todos aqueles que querem ver na nossa terra este diálogo entre a fé e a cultura e que se materializou, ao longo dos tempos, em tantas formas artísticas que ainda hoje estão à nossa disposição e que nos levam a ver como a beleza feita arte pode ser um belo instrumento para anunciar a Boa Nova de Jesus.
+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.
8 janeiro 2017