URBINO DE PINHO,
Georgino Rocha
Urbino de Pinho nasce em Calvão, em 1942, faz os estudos teológicos no Seminário dos Olivais, em Lisboa, e a licenciatura canónica em teologia moral em Roma. Ordenado padre, em 1968, por D. Manuel de Almeida Trindade, exerce o ministério na paróquia de Ílhavo e noutras terras, sempre que pode ou é solicitado. Nascido numa família profundamente cristã, rica de humanidade, bebe com o “leite materno” um modo de ser e de agir que desenvolve ao longo da vida. Cultiva um estilo pastoral em que brilha a atenção ao outro, sobretudo ao mais necessitado, assumindo atitudes, iniciando ou acompanhando grupos e movimentos, construindo obras materiais, libertando e sanando consciências “feridas”, restituindo a dignidade perdida a tantos que o procuram ou a quem ele encontra e reconhece poder ser prestável.
O estilo de vida, afirma Enzo Bianchi, da comunidade monástica de Bose, “deixa uma aura indefinível na pessoa: uma aura que depende da sua intimidade, da sua vida interior” e de tantos outros factores. Expressa-se “no comer, no tocar, no sentir o mundo, no repousar e no divertir-se”. Estilo, a epifania do ser pessoal, relacional, integral, que exige muito tempo, graça de Deus e esforço e que vêm a acentuar aquelas características marcantes da personalidade.
Ainda em estudante, o P. Urbino depara-se com a doença que o leva a uma pausa para recuperação e reflexão. Chegado a Ílhavo, encontra o serviço paroquial dos doentes a que se dedica generosamente com o acordo dos padres colegas de equipa. O grupo de visitadores ia progressivamente aumentando em número e crescendo na formação específica; procurava corresponder à abertura e aceitação da parte das famílias e ao propósito inicial da sua constituição: visitar todas as pessoas doentes, sejam crentes ou não, casados pela Igreja ou em união civil. A par deste serviço, outros vão surgindo como o dos ministros extraordinários da comunhão ou reforçando como o dos vicentinos.
O P. Urbino partilha com os colegas a vida paroquial em pleno, que é a missão da Igreja. Partilha e assume responsabilidades específicas, conforme as mudanças na equipa. Uma das áreas mais relevantes no trabalho pastoral é constituída pela acção socio caritativa polarizada no “Património dos Pobres” e nas suas múltiplas valências.
A elas, sobretudo desde que fica como pároco, em 1980, dedica o P. Urbino o melhor do seu esforço que vem a caracterizar o seu estilo de vida, cheio de proximidade e de ternura, de compreensão e misericordiosa. A sua agenda está marcada pelo ritmo dos necessitados e a gestão do tempo pelas prioridades que surgem na vida pastoral. Defensor de que “ter ordem é caridade”, reconhece a urgência de intervir onde a desordem deixa a sua marca de infelicidade, seja a que horas for. Este modo de agir converte-se em chave de leitura da sua vida, como anota o colega no serviço à mesma paróquia durante anos o P. Manuel João dos Santos Cartaxo. O número especial de “A Família Paroquial”, de 2003, dedicado à memória do P. Urbino, entretanto falecido, comporta um rico manancial de testemunhos e artigos dos mais diversos quadrantes que tornam vivo e actual o seu peculiar estilo de vida.
Tendo como referências as obras de misericórdia apresentadas como credenciais no encontro definitivo com Jesus Cristo, o P. Cartaxo cita cada uma delas e apresenta o “currículo” do P. Urbino que lhe dá rosto humano e realização efectiva. E a lista realça o Jardim Infantil do Centro Paroquial, a Obra de Criança, o Lar do Divino Salvador (para mães solteiras e vítimas de violência), o Lar de São José para pessoas idosas, os grupos paroquiais de voluntários e outros serviços. O magistério do P. Urbino, falado e escrito, desenvolve também as obras espirituais de misericórdia. “Vinde, benditos, possuir o Reino” e será a felicidade para sempre. “Porque foi a Mim que o fizestes”.
Precisamos sempre – insiste o Papa Francisco – de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida.