Sáb. Out 23rd, 2021

VIVER A SÉRIO

Manuel Alte da Veiga (Texto)

António Bracons (Foto) – fasciniodafotografia.wordpress.com

O apelo da verdade levanta a questão de «viver a sério». Somos seres insatisfeitos, procurando uma diferente qualidade de vida, diferentes maneiras de olhar o mundo, diferentes valores. De facto, somos atraídos por novos caminhos e experimentamos novas tentativas de procurar o “grande objectivo“ que nos inquieta. Deste “grande objectivo”, porém,  nunca teremos provavelmente uma noção muito clara. Quanto mais o queremos definir, aliás, mais insondável nos parece. E contudo, essa insondabilidade ainda mais estimula quem não se contenta com “olhar a vida“ mas sim com “saborear a vida“.

Na realidade, viver a vida é um acto de investigar. Propor-se um objectivo pode dizer-se, em inglês, “to aim”: significa primeiramente atirar, lançar, fazer mira, e provém do latim “aestimare” = fazer uma estimativa, calcular. Ora tudo isto pressupõe concentração, especificação do objectivo, aceitação da dificuldade de acção, da possibilidade de erro, e de coordenação de meios. A importância de aceitar a possibilidade de errar liga-se ao reconhecimento dos limites da nossa situação e das condições muito diversas em que nos podemos encontrar, particularmente se nos situamos em culturas diferentes.

Porém, para não nos perdermos no mundo, precisamos de uma boa estrutura de conhecimentos básicos, para além da especialização. Como uma bússola, que não explicita o que aponta, mas que nos orienta de tal modo que não sejamos facilmente enganados.

Este abrir de horizontes novos é que identifica o homem educado como aquele que desenvolve uma atitude de justificação o mais generalizada possível. Aquele que raciocina (avalia) sobre as próprias intuições, não se deixando enganar por falsas aparências.  Poderá assim descobrir qual é o verdadeiro valor de todas as coisas que fazem parte da sua vida.

 

Aveiro, 18/1/2017

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