Dom. Jun 13th, 2021

SER «BEM EDUCADO»,

Manuel Alte da Veiga

            Não está em causa directamente a «boa educação» – esta, aliás, caiu da moda devido a ter degenerado em elitismos, snobismo e formalismo. Contudo, a agressividade crescente e descontrolada tem muito a ver com se ter posto de lado, sem mais, a «boa educação». Infelizmente, esta ficou-se por um conceito e processo de educação muito superficial, longe da espantosa e maravilhosa complexidade do que é um «ser humano». E por que é que prestamos atenção ao «ser humano», logo desde os princípios da sua emergência? Porque temos um ideal e um critério de «Homem educado», na linha do profundo desejo de virmos a ser uma pessoa plenamente realizada.

Partindo da reflexão e prática de muitos educadores, diríamos que o homem educado é aquele que é capaz de agir porque é bom agir (e não por interesses “menores”); domina uma área de conhecimento ou um «saber fazer», mas é consciente da imensidão de conhecimento para além dos seus limites; e que por isso não pode viver na prisão estreita da especialização, mas abre as janelas a opiniões diversas, como um “adolescente” viajando com novas maneiras de ver coisas novas; reconhece como qualquer tipo de acção/profissão é melhorada, facilitada e mais agradável, em função do nível de educação. E sabe ser tudo isto sem submissões ideológicas. A ideologia, de facto é facilmente manipuladora, ao “encaminhar” a pessoa, sub-repticiamente, para a submissão a um plano cuja concreção é atentatória da liberdade da pessoa “como fim”.

 É pois um homem insatisfeito por conhecer e compreender, e por isso lança continuamente uma pergunta nova. Procura dar exemplo de uma «razão bem orientada», eliminadora do irracional, mas atenta aos graus de «razoabilidade» a serem discutidos e avaliados. Porque em tudo se revela a verdade e o bem, abre bem os olhos para não perder as pedras preciosas que se escondem no caminho. Ser «bem educado» é viver o apelo da verdade.

 

 

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