Sáb. Nov 27th, 2021

ALIANÇA: A MOLDURA DE UM POVO

Pe. Georgino Rocha

À opressão do Faraó, corresponde Deus/Javé com a libertação e a aliança no Sinai que constitui a matriz referencial para o povo na sua nova dignidade: “Vós sereis meu povo e Eu serei o vosso Deus”. A provar esta aliança estão as dez tábuas da Lei guardadas na arca. E muitas outras prescrições que “definem” a vida familiar, social e religiosa do povo escolhido.

“A dignidade dos seres humanos e da terra encontra-se na base dos diferentes corpos legislativos do Pentateuco… que têm um profundo sentido humanista e ecológico. O sentido da dignidade conduz ao reconhecimento e à formulação com nitidez dos direitos das pessoas excluídas, dos colectivos mais desprotegidos e da natureza… (e) tem um carácter imperativo e se convertem em norma obrigatória, sem qualquer excepção”. J. Tamayo, (2011), Otra teologia es posible, p. 363.

A caminhada que Deus faz com o seu povo converte-se em modelo inspirador de todo o itinerário e de toda a pedagogia catecumenais a observar para fazer a iniciação cristã dos que pretendem familiarizar-se na fé, ser membro da Igreja e participar na celebração dos sacramentos.  Tem vindo a ser valorizada em estudos bíblicos e em experiências pastorais da renovação comunitária da Igreja como povo de Deus. Outros modelos se encontram nos textos bíblicos, sobretudo a partir de Jesus Cristo e dos seus contactos sanadores com pessoas “feridas” na sociedade judaica.

A Terra prometida faz com que o povo se sinta em casa e assuma o seu lugar responsavelmente, se organize para viver a aliança, releia a experiência feita, reconheça que valeu a pena e se disponha a servir exclusivamente o Senhor ( Js 24, 21-24.)     

A refeição constitui um memorial desta aliança. Nela, o pão recorda o pão da miséria que os vossos pais comeram à saída do Egipto e o vinho a taça da aliança que o Senhor Deus concluiu convosco. O ritual desta refeição é observado por Jesus na ceia pascal de despedida dos seus discípulos, que antecipa sacramentalmente a nova e eterna aliança celebrada no seu corpo e no seu sangue.

O Papa Francisco na «Alegria do Evangelho» confessa que “o ecumenismo é uma contribuição para a unidade da família humana”, nº 245; e que “se realmente acreditamos na ação livre e generosa do Espírito, quantas coisas podemos aprender uns dos outros! Não se trata apenas de receber informações sobre os outros para os conhecermos melhor, mas de recolher o que o Espírito semeou neles como um dom também para nós”, nº 246.

A aliança lança novas pontes de comunhão e de solidariedade. A missão de Israel é a de ser sinal particular da salvação universal que Deus tem em curso com a colaboração de toda a humanidade.