Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga

A religiosidade está a crescer nos mais jovens?

António Jorge Pires Ferreira

No Expresso da última sexta-feira, Henrique Raposo apontou cinco razões para os “miúdos” estarem “mais à direita”.
A última tem a ver com a dimensão religiosa. Será mesmo assim? Mais à direita ou mais à esquerda, se houver mais religiosidade entre os jovens, o desafio para a Igreja será cristianizá-la e não deixar que se perca em esoterismos, superstições e reencarnações. O excerto de Henrique Raposo: “Há um regresso do sagrado. A religiosidade está a crescer nos mais jovens. De novo, é a roda da história. Há 100 anos aconteceu o mesmo. Depois de meio século de globalização e avanços tecnológicos que destruíram o mundo antigo entre meados do século XIX e início do século XX, a geração do início do século XX voltou ao cristianismo na busca de um sentimento de pertença a algo fixo, imutável, eterno. Navio a vapor, eletricidade, elevador, motor de combustão, carro, avião, telégrafo, telefone, água canalizada, a massificação dos jornais: estas inovações revolucionaram por completo a sociedade. Uma pessoa nascida de 1850 teria mais em comum com uma pessoa de 1500 do que com uma pessoa de 1920. Nascidos nesse turbilhão, sem referências reais na sociedade, na política e até na sua família, os mais jovens viraram-se para uma pedra que é estável há dois milénios. Um jovem nascido em 2000 ou 2010 sente o mesmo agora. A revolução digital destruiu parte do velho mundo, quer na economia, quer nos costumes, quer na guerra. Sem surpresa, muitos descobrem na fé a constância que falta em tudo o resto” (Expresso, 1 de maio de 2026).


Imagem de Eugenio Albrecht por Pixabay