Sáb. Nov 27th, 2021

ANTÓNIO HENRIQUE VIDAL

Georgino Rocha (Texto)

Padre António Henriques Vidal, (agora P. Vidal) nasce a 1922, na freguesia de Macinhata do Vouga e vem a falecer em 2000, em Fátima, no Lar de Betânia, pertencente ao Instituto Secular das Cooperadoras da Família. Neste período de tempo, ocorrem factos e acontecimentos marcantes da vida da sociedade e da Igreja, que têm forte repercussão na sua vida e missão. Sirva de ilustração a deslocação de populações para as cidades, a escolarização progressiva de crianças e jovens, a industrialização da região aveirense, ainda que lenta, o novo regime político, a restauração da diocese de Aveiro e sua progressiva organização pastoral,  a celebração do Vaticano II e sua recepção na Igreja diocesana, designadamente com a realização do II Sínodo, o da renovação.

O P. Vidal era dotado de uma rica personalidade: atento ao que acontecia, solícito em acompanhar o ritmo da mudança e em procurar a oportuna resposta evangélica, apaixonado por Cristo e pela Igreja, amigo incondicional do bispo diocesano e do presbitério, muito próximo dos “feridos da vida”  e de quem os acarinha e cuida. O seu olhar irradiava o calor que lhe aquecia o coração, a sua presença solícita comprovava o ardor apostólico que vivia e queria comunicar, a sua palavra, falada e escrita, entusiasmava e gerava esperança e compromisso. O estilo de vida do P. Vidal e o ministério que realizou espelham bem o “fogo” que lhe consumia as energias humanas e dão rosto à misericórdia que impregnava as suas preocupações pastorais.

Pároco zeloso

Ordenado presbítero, em 1951, por D. João Evangelista de Lima Vidal, inicia o exercício do ministério em Águeda, passando depois a várias outras paróquias, de acordo com a nomeação do bispo diocesano, as possibilidades do presbitério e a ocorrência de necessidades no povo cristão.

A acção apostólica do P. Vidal foi sempre muito dedicada, obtendo quase sempre resposta generosa da parte dos fiéis.

A obra de Bustos:  expressa na harmonia do povo, no aumento da prática religiosa, na construção do novo templo paroquial e em outras iniciativas de vulto constitui um sinal claro da sua eficácia apostólica. Aqui acentua a preferência pelo apostolado em família.

Contemplativo na acção: forte espiritualidade

O dinamismo pastoral do P. Vidal brotava não apenas do temperamento apaixonado, mas sobretudo da espiritualidade que, na década de 50 do século XX, se encaminhava para viver a caridade de Cristo no dia-a-dia, na acção apostólica, na celebração litúrgica, na relação pessoal de ajuda, na presença na sociedade para dar testemunho da esperança cristã.

A 13 de Outubro de 1962, informa o P. Manuel Cirne, alguns padres da diocese de Aveiro, ao terem conhecimento da “Associação dos Padres de Caritas Christi”, entram em contacto com os seus responsáveis e, depois de dois encontros pessoais com o Padre Perrin, aderem à sua regra de vida. Um deles é o P. Vidal.

O P. Perrin era um dominicano francês, invisual, que se dedicava a acompanhar pessoas desejosas de crescerem espiritualmente, permanecendo no mundo e vivendo o quotidiano. Por 1961, escrevia na chamada «Lei de Vida», nº $2: «O seu meio de tender para a vida perfeita será a sua vida de padre secular, no lugar estabelecido pelo seu Bispo, segundo os desígnios da providência. Esta vida, com tudo aquilo de que é tecida, é o seu caminho de perfeição”. O Vaticano II, em preparação nessa data, vem a confirmar esta visão e dá-lhe nova consistência, consagrando-lhe o documento sobre o ministério e a vida dos presbíteros.

Incansável apóstolo itinerante

O amor de Deus impulsiona o P. Vidal a tornar-se presente nos espaços humanos que, nos seus silêncios, lhe fazem chegar os gemidos de Cristo em necessidade. São as raparigas “mal-amadas” pela mão de D. Maria da Luz e da Obra da Providência, as empregadas domésticas ao cuidado da Obra de Santa Zita e das Cooperadoras da Família, os emigrantes em França por meio do Serviço diocesano correspondente, os padres e as irmãs missionárias em terras distantes, e tantos outros, como os pobres, por meio das Conferências Vicentinas e da Cáritas. Impulsiona e leva a saber dar o apoio necessário e desejado.  

“Dizia-se”, testemunha o diácono Fernando Martins, “que este sacerdote nunca iniciava qualquer tarefa espinhosa sem «conversar», horas sem conta, com o Senhor, junto do sacrário.” Era, realmente, um homem de ação, de oração e de coração generoso.

 

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