Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga

Cada vez mais idosos sozinhos

António Jorge Pires Ferreira

É alarmante a sociedade que estamos a criar em Portugal. Já sabíamos que a explosão demográfica é um mito [em 2020, o presidente da Comissão Diocesana publicou artigo sobre este mito]. A bomba demográfica da década de 1960 era uma ilusão. Em Portugal e no mundo. Hoje sabe-se que os cálculos eram feitos por alarmistas pouco dados à ciência rigorosa. E Luca Gianaroli, especialista em medicina da reprodução, diz o contrário, que a “crise de natalidade já é mundial. Vamos extinguir-nos”. Talvez por causa desse medo da bomba demográfica e de muitas outras razões (como o facto de antes as pessoas pensarem que um filho era um investimento para o futuro, uma riqueza, e hoje pensarem que é um gasto, um desfalque), as pessoas começaram a ter menos filhos. Uma notícia do “Expresso” de 1 de maio diz que, em Portugal, nas próximas décadas, “um milhão de portugueses terá apenas um familiar próximo na velhice”. “Hoje, cada idoso conta com quatro pessoas próximas para o apoiar. Para quem tem 35 anos, esse apoio vai reduzir-se a uma”. Se agora já há milhares de idosos abandonados nos lares e nos hospitais (abandonados pelos familiares, ou por não os terem; não pelas instituições), no futuro a situação vai multiplicar-se. Um terreno ótimo para a eutanásia parecer um alívio.


Imagem de Alexa por Pixabay