Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga

Sapatos de Deus

António Jorge Pires Ferreira

Na descrição que São Paulo faz da “armadura do cristão” para o anúncio da fé (Ef 6,10-20), há uma referência aos sapatos: Tende “os pés calçados com o selo para propagar o evangelho de paz”. Este é o ponto de partida para José Miguel Cardoso (que muitos tiveram oportunidade de ouvir na conferência dos 600 anos da Sé de Aveiro que aconteceu no Museu Marítimo de Ílhavo) elaborar um decálogo de sapatos (dez pares de sapados – dez capítulos do livro) que permite abarcar todo o cristianismo, como explica na página 281: “a ressurreição (sapatilhas), que constitui o conteúdo central do Cristianismo; a fé (sapatos de domingo), a caridade (sapatos rotos) e a esperança (sapatos de criança), que são as três virtudes teologais que Deus concede para uma melhor vivência e testemunho dessa ressurreição; a Igreja (botas de trabalho), a família (chinelos de quarto) e a ecologia (galochas), que são os areópagos vitais da vivência cristã; o silêncio (chinelos de praia) e o humor (sapatos de palhaço), que incidem sobre duas atitudes essenciais na vida de discipulado; e Maria (sapatos de mulher), o modelo de referência no seguimento de Jesus”. Faz lembrar os chapéus de Edward de Bono (que eram seis, correspondendo a seis atitudes na resolução de um problema). O que vou calçar hoje?

 

Imagem recolhida do https://www.livrariadm.pt/os-sapatos-de-deus