Sinais | Leitura de ‘sinais’ inquietantes | Rubrica promovida em parceria com o Correio do Vouga
Como vai evoluir a IA?
António Jorge Pires Ferreira
É raro do dia em que não surjam notícias, ora esperançosas, ora alarmantes, sobre a inteligência artificial. Ora promissoras, ora assustadoras. Yuval Noah Harari, historiador israelita muito conhecido pelos seus livros, como “Sapiens”, adianta uma ideia no mínimo assustadora: a IA ter personalidade jurídica. Como ele explica no Expresso de 10 de julho, têm personalidade jurídica as pessoas e as empresas (ou outras coletividades), sempre com pessoas reais por detrás. São as pessoas jurídicas que podem abrir contas em bancos, ir a tribunal, assumir responsabilidades. Uma IA com personalidade jurídica poderá fazer isso tudo. “Imagine uma situação, talvez daqui e cinco ou dez anos, em que a pessoa mais rica do país é uma IA com milhares de milhões de dólares na conta bancária, que pode investir na bolsa e comprar imóveis”, diz Harari. Demasiado futurismo? O pior vem a seguir. “Parece ficção científica, mas há cerca de um mês, o Presidente da Argentina anunciou que o país vai conceder personalidade jurídica às IA para que possam criar aquilo a que o Governo argentino chamou «empresas não humanas». Imagine que uma empresa comete algum crime. Pode aplicar-lhe uma multa ou até uma pena de prisão. Como se manda uma IA para a cadeia? Se corporação de IA fizer realmente algo mau, qual é a sua sanção?”, interroga-se o israelita. “Ninguém faz ideia do que a IA será capaz de fazer em apenas cinco anos”.