Qui. Out 28th, 2021

O nosso país está próximo de atingir os 85% da população vacinada contra a Covid-19 e, por esta razão, a nossa vida pastoral deve acontecer de uma forma mais normal; devemos abrir caminhos novos de renovação pastoral e comunitária, embora tenhamos de manter as medidas sanitárias que nos têm sido recomendadas.

  1. A catequese

A catequese está a dar os primeiros passos e a aposta deve ser por uma catequese presencial. Todos sabemos que as transmissões on-line nos ajudam a alargar os nossos horizontes formativos; mas no que diz respeito à fé é necessário o grupo de catequese onde partilhar a fé e a comunidade onde celebrar a fé em Igreja.

O novo Itinerário de Catequese que a Igreja em Portugal está a elaborar tem como intuição que o discipulado cristão, o caminho para se tornar cristão, só é possível na união das famílias, crianças, adolescentes, jovens e a própria comunidade cristã. Os pais devem empenhar-se na educação dos filhos, fazendo com eles um percurso de fé. Em muitos casos os pais necessitam tanto ou mais deste percurso de fé que os próprios filhos.

  1. As exéquias cristãs

A Igreja sente ser seu dever estar próxima de todos os que sofrem; não pode ficar indiferente nem ausente da vida das pessoas. Ela é vista na viúva que chora e a quem o Senhor diz: “Não chores!”, ou no samaritano que aceita ver e ouvir a dor do outro. Este é o modo de ouvir de Deus, e esta deve ser também a maneira de sentir da Igreja diante dos sofrimentos humanos.

O sofrimento provocado pela morte de um familiar ou de um amigo não pode ficar sem a iluminação da fé cristã. O Ritual da Celebração das Exéquias prevê três momentos diferentes que devemos ter em conta: na casa mortuária, na igreja e no cemitério. Faço um apelo a que voltemos a uma certa normalidade na celebração das exéquias cristãs.

Em primeiro lugar, é aos familiares e não às Agências funerárias que pertence organizar o velório do seu ente querido que faleceu. Devemos desaconselhar vivamente a prática que se vai estabelecendo em algumas zonas da nossa Diocese, onde o defunto fica ao cuidado das funerárias e os familiares recebem o corpo do defunto momentos antes da celebração religiosa. O velório é um momento de oração pelo defunto e de comunhão fraterna entre familiares e amigos.

A celebração deve fazer-se na igreja, tendo em conta os usos da própria comunidade cristã. O acompanhamento para o cemitério faz parte integrante da celebração das exéquias e, mantendo o distanciamento recomendado e as outras medidas sanitárias, não deverá deixar de se fazer. Pode ser, segundo os costumes, a pé ou de carro.

  1. As procissões

O último comunicado do Conselho Permanente da Conferência Episcopal recomenda que “com os devidos cuidados e observância das normas” em vigor, se realizem as procissões e outras atividades pastorais. Com o terminar do período estival a maior parte das paróquias já realizaram as festas religiosas. Tendo em conta que serão dadas normas pela Conferência Episcopal num futuro próximo, recomendo que mantenhamos a forma como temos realizado até agora as procissões, não esquecendo nunca que o mais importante da festa religiosa não é a procissão, mas sim a celebração da Eucaristia, presença vida de Jesus no meio de nós.

Façamos todos o esforço de ir ao âmago do Evangelho, fazer uma viagem ao interior de nós mesmos para descobrir o essencial da fé cristã.

Aveiro, 19 de setembro de 2021.

+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro