O nosso país está próximo de atingir os 85% da população vacinada contra a Covid-19 e, por esta razão, a nossa vida pastoral deve acontecer de uma forma mais normal; devemos abrir caminhos novos de renovação pastoral e comunitária, embora tenhamos de manter as medidas sanitárias que nos têm sido recomendadas.
- A catequese
A catequese está a dar os primeiros passos e a aposta deve ser por uma catequese presencial. Todos sabemos que as transmissões on-line nos ajudam a alargar os nossos horizontes formativos; mas no que diz respeito à fé é necessário o grupo de catequese onde partilhar a fé e a comunidade onde celebrar a fé em Igreja.
O novo Itinerário de Catequese que a Igreja em Portugal está a elaborar tem como intuição que o discipulado cristão, o caminho para se tornar cristão, só é possível na união das famílias, crianças, adolescentes, jovens e a própria comunidade cristã. Os pais devem empenhar-se na educação dos filhos, fazendo com eles um percurso de fé. Em muitos casos os pais necessitam tanto ou mais deste percurso de fé que os próprios filhos.
- As exéquias cristãs
A Igreja sente ser seu dever estar próxima de todos os que sofrem; não pode ficar indiferente nem ausente da vida das pessoas. Ela é vista na viúva que chora e a quem o Senhor diz: “Não chores!”, ou no samaritano que aceita ver e ouvir a dor do outro. Este é o modo de ouvir de Deus, e esta deve ser também a maneira de sentir da Igreja diante dos sofrimentos humanos.
O sofrimento provocado pela morte de um familiar ou de um amigo não pode ficar sem a iluminação da fé cristã. O Ritual da Celebração das Exéquias prevê três momentos diferentes que devemos ter em conta: na casa mortuária, na igreja e no cemitério. Faço um apelo a que voltemos a uma certa normalidade na celebração das exéquias cristãs.
Em primeiro lugar, é aos familiares e não às Agências funerárias que pertence organizar o velório do seu ente querido que faleceu. Devemos desaconselhar vivamente a prática que se vai estabelecendo em algumas zonas da nossa Diocese, onde o defunto fica ao cuidado das funerárias e os familiares recebem o corpo do defunto momentos antes da celebração religiosa. O velório é um momento de oração pelo defunto e de comunhão fraterna entre familiares e amigos.
A celebração deve fazer-se na igreja, tendo em conta os usos da própria comunidade cristã. O acompanhamento para o cemitério faz parte integrante da celebração das exéquias e, mantendo o distanciamento recomendado e as outras medidas sanitárias, não deverá deixar de se fazer. Pode ser, segundo os costumes, a pé ou de carro.
- As procissões
O último comunicado do Conselho Permanente da Conferência Episcopal recomenda que “com os devidos cuidados e observância das normas” em vigor, se realizem as procissões e outras atividades pastorais. Com o terminar do período estival a maior parte das paróquias já realizaram as festas religiosas. Tendo em conta que serão dadas normas pela Conferência Episcopal num futuro próximo, recomendo que mantenhamos a forma como temos realizado até agora as procissões, não esquecendo nunca que o mais importante da festa religiosa não é a procissão, mas sim a celebração da Eucaristia, presença vida de Jesus no meio de nós.
Façamos todos o esforço de ir ao âmago do Evangelho, fazer uma viagem ao interior de nós mesmos para descobrir o essencial da fé cristã.
Aveiro, 19 de setembro de 2021.
+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro