Artigo recolhido do SNPC
Qual é a relação entre acreditar em Deus e comportamento moral? E quanto são importantes Deus e a oração na vida das pessoas? O Pew Research Center (EUA) colocou estas perguntas, em 2019, a 38 426 pessoas em 34 países. Os resultados apontam para respostas diferenciadas de acordo com a região do globo, o rendimento, a instrução e tendências políticas.
Apesar das diferenças na observância religiosa, uma média de 62% nos países considerados afirma que a religião desempenha um papel importante na sua vida, enquanto 61% concorda na afirmação de que Deus exerce um papel importante, e 53% diz o mesmo em relação à oração. Desde 1991, a percentagem das pessoas que dizem que Deus é importante para elas aumentou na Rússia e Ucrânia, enquanto aconteceu o oposto no mesmo arco de tempo na Europa ocidental.
As opiniões sobre a oportunidade de acreditar em Deus para ter princípios morais variam de acordo com a religião
Entre os 13 países entrevistados na União Europeia, a Grécia tem a maior percentagem de habitantes que unem a fé em Deus à moralidade (53%), seguida, de perto, pela Bulgária (50%) e Eslováquia (45%). Todavia, em muitos países do continente europeu, são relativamente poucas as pessoas que afirmam que é necessário acreditar em Deus para ter princípios morais: 9% na Suécia, 14% na República Checa e 15% em França.
São menos de metade quer no Canadá quer nos EUA aqueles que afirmam que a fé em Deus é necessária para ter princípios morais (26% e 44%, respetivamente).
Ao contrário, quase todos os entrevistados na Indonésia e nas Filipinas (96% cada um) assinalam uma ligação entre a fé em Deus e ter princípios morais. E quase oito em dez (79%) na Índia afirmam o mesmo. Mas na Ásia oriental os sul-coreanos estão divididos (53% afirma que é necessário, 46% consideram que não), enquanto quotas mais pequenas no Japão (39%) e na Austrália (19%) defendem que é necessário acreditar em Deus para ter princípios morais.
No Médio Oriente e nas nações norte-africanas entrevistadas, pelo menos sete em dez no Líbano (72%), Turquia (75%) e Tunísia (84%) pensam que é necessário acreditar em Deus para possuir princípios morais. Os israelitas estão divididos, com 48% da população em cada uma das partes.
Surpreendentemente, quer a Rússia quer a Ucrânia conheceram uma evolução da opinião sobre esta questão, mas em direções opostas. A Rússia viu um aumento de 11 pontos percentuais desde 2002 na quota daqueles que consideram necessária a fé em Deus para possuir princípios morais, enquanto a Ucrânia teve uma queda de 11%.
À parte da Rússia, outros dois países – Bulgária e Japão – viram aumentos significativos na percentagem dos seus cidadãos que têm esta opinião (respetivamente 17 pontos e 10 pontos).
Além da Ucrânia, quatro países – México, Turquia, Coreia do Sul e EUA – assistiram a diminuições significativas do percentual dos seus cidadãos segundo os quais a fé em Deus é necessária para ter princípios morais.
Individualmente, aqueles que ganham o mesmo ou mais do que o rendimento médio são significativamente menos propensos a dizer que a fé em Deus é necessária para a moralidade. A maior diferença entre os diferentes níveis de rendimento está nos EUA, onde existe uma disparidade de 24 pontos percentuais entre aqueles abaixo do rendimento médio e aqueles que estão acima.
Isto é particularmente verdade na Coreia do Sul, onde 64% dos adultos mais idosos considera que a fé em Deus está ligada à moralidade, enquanto um quinto dos jovens do país afirma a mesma coisa.
A diferença entre adultos de idade igual ou superior a 50 anos e jovens adultos entre 18 e 29 anos é igual ou superior aos 20 pontos percentuais na Coreia do Sul, Grécia, Argentina, EUA, México, Polónia, Japão, Hungria, Bulgária e Eslováquia.
As diferenças de idade sobre esta pergunta encontram-se em quase todas as regiões do mundo. Na Nigéria, Tunísia, Turquia e Brasil, pelo menos sete pessoas em dez em cada faixa etária concordam em considera a fé em Deus necessária para a moralidade. Mas na República Checa e na Suécia, não mais de duas em dez em qualquer faixa de idade são do mesmo parecer. Em nenhum país entrevistado as pessoas de idade compreendida entre 18 e 29 anos são mais inclinadas, comparativamente às faixas de idade avançada, a dizer que é necessário acreditar em Deus para ter princípios morais.
Além disso, há diferenças nesta pergunta entre os entrevistados com diversos níveis de instrução em diversas outras nações incluídas na sondagem de 2019. Em 24 dos 34 países considerados, aqueles que têm um maior nível de instrução são significativamente menos propensos a considerar a fé em Deus como necessária para ter princípios morais. Não há diferenças significativas entre os outros 10 países envolvidos no estudo.
A Eslováquia é o único país entrevistado em que as pessoas de esquerda são mais inclinadas a declarar que é necessário acreditar em Deus para ter princípios morais: 49% das que são de esquerda no país está de acordo, comparativamente com 33% das de direita.
À pergunta sobre a importância da religião na sua vida, a maioria de 23 países em 34 afirma que a religião é muito ou algo importante para elas. Isto diz respeito a nove pessoas em dez, ou mais, na Indonésia, Nigéria, Tunísia, Filipinas, Quénia, Índia, África do Sul, Brasil e Líbano.
Maiorias em muitos destes países têm níveis particularmente elevados de compromisso religioso, e afirmam que a religião é muito importante nas suas vidas. Atitudes do género são comuns na Indonésia (98%), Filipinas (92%), Tunísia (91%), Brasil (84%), Índia (77%), Turquia (71%), Líbano (70%) e em todos os países africanos considerados: 93% na Nigéria, 92% no Quénia e 86% na África do Sul.
Os países europeus tendem a ter quotas muito mais pequenas do que aqueles que afirmam que a religião é «muito» ou «de algum modo» importante nas suas vidas: 22% dos adultos na Suécia, 23% na República Checa, 33% em França, 39% nos Países Baixos e Hungria.
Em muitas nações europeias, uma pluralidade de pessoas afirma, por seu lado, que a religião «não é de todo importante» nas suas vidas. É o caso da República Checa, da França, dos Países Baixos, da Suécia e do Reino Unido, onde os adultos se limitam a afirmar que a religião não é de facto importante nas suas vidas, mais do que escolher qualquer outra opção de resposta.
Diferentemente, mais de seis em dez entrevistados na Grécia, Polónia e Itália afirmam que a religião é «muito» ou «de algum modo» importante nas suas vidas. São muitas as pessoas na Grécia a dizer que a religião é de certo modo importante na sua vida (80%), comparativamente com outros países europeus. Maiorias mais pequenas na Alemanha, Eslováquia, Lituânia (cada um com 55%) e Bulgária (59%) afirmam que a religião é pelo menos de algum modo importante para elas.
Em 34 países, uma média de 61% afirma que Deus exerce um papel importante na sua vida, enquanto são 53% aqueles que consideram a oração importante na sua vida quotidiana.
Os entrevistados nos países mais ricos tendem a não estar de acordo sobre o facto de ser necessário acreditar em Deus para ter princípios morais, e também as pessoas nos países mais ricos em geral declara que Deus e a oração não são particularmente importantes nas suas vidas.
As pessoas nas economias emergentes são mais do dobro em comparação com quantas pertencem a economias avançadas a dizer-se de acordo com o facto de a oração ser uma parte importante da vida quotidiana. Nove em dez, ou mesmo mais, em todas as economias emergentes (exceto a Ucrânia) afirmam que Deus tem um papel importante nas suas vidas. Ao contrário, são menos de metade dos entrevistados em 11 países economicamente avançados que consideram Deus importante na vida. Do mesmo modo, enquanto uma média de 41% nas economias avançadas afirma que a oração constitui uma parte importante da vida quotidiana, são 96% as pessoas das economias emergentes que dizem que o é.
Todavia, cerca de três em dez pessoas religiosas não afiliadas na Argentina e nos EUA afirmam que Deus é importante para elas, e uma maioria de pessoas religiosamente não afiliadas no México afirma que Deus desempenha um papel importante nas suas vidas.
Há um acordo quase unânime sobre o facto de Deus ser importante na vida entre as pessoas de todas as principais pertenças religiosas no Brasil, Filipinas e Quénia, bem como entre todos os entrevistados muçulmanos e cristãos na Nigéria.
Ao mesmo tempo, outras ex-repúblicas soviéticas em que a religião foi duramente reprimida ou praticamente banida durante o período soviético registaram um aumento do percentual de pessoas que afirmam que Deus tem um papel importante na vida. Quer a Ucrânia quer a Rússia conheceram aumentos de dois dígitos na percentagem de pessoas que dizem que Deus é importante para elas. Na Bulgária, ex-satélite da URSS, 41%, em 1991, declarou que Deus era importante nas suas vidas; hoje, a maioria dos entrevistados búlgaros (55%) exprime a mesma convicção.
Tendências semelhantes ocorrem para aqueles que afirmam que a oração é uma parte importante da sua vida quotidiana.
In Pew Research Center
Trad.: Rui Jorge Martins












