Sáb. Nov 27th, 2021

Oratório Peregrino

Um oratório à maneira de um viático para tempos de carestia
Uma proposta desenvolvida em parceria com

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro


XIX Passo | Oração preferencialmente afectiva

 

  • Nesta oração, a atenção do orante centra-se mais no amar do que no pensar; embora com a suficiente luz da fé e da Escritura para lhe permitir penetrar nos mais altos mistérios.
  • Podemos ver nesta insistência de Teresa a lição aprendida naqueles longos anos de secura, em que não conseguia pensar nada (V 7, 17).
  • A sua experiência prévia de ter companhia em Cristo e de com Ele falar revelar-se-lhe–á mais eficaz que outras técnicas artificiais, que tentarão afastá-la da consideração da Humanidade de Cristo.

 

Santa Teresa quer fazer um pedido a Deus. A cena de Betânia com Marta e Maria guia a sua oração. Ela conclui que só o amor dá valor às coisas e que único necessário é que o amor consiga que nada o impeça de amar. Por isso ela conclui a oração pedindo o conhecimento de Deus para O Amar.

Rezemos com Teresa e peçamos a Deus que nos faça conhecê-l’O e amá-l’O.

 

Lembro-me algumas vezes

Da queixa daquela santa mulher, Marta,

Que não se queixava só da sua irmã,

Mas tenho por certo que o seu maior sentimento

Vinha de lhe parecer que Vós, Senhor,

Não Vos importáveis com o seu trabalho

Nem que ela estivesse convosco.

Pareceu-lhe, porventura,

Que tínheis mais amor à sua irmã

Do que a ela.

Isto devia doer-lhe mais

Do que servir a quem ela tinha tanto amor,

Pois o amor faz ter o trabalho por descanso.

Decide não dizer nada a sua irmã

Antes, leva toda a sua queixa a Vós, Senhor,

Pois o amor fez com que se atrevesse a dizer-vos

Que não vos preocupáveis com ela.

Até pela resposta se vê ser e

Proceder o fundamento disto que digo:

Só o amor dá valor a todas as coisas;

E que seja tão grande

Que nada impeça o amar

É o mais necessário.

Mas como poderemos ter este amor, meu Deus,

Conforme ao que merece Jesus,

Se o amor que Vós nos tendes não se junta ao nosso?

Queixar-me-ei com esta mulher?

Oh! Não tenho nenhuma razão,

Porque sempre tenho visto no meu Deus

Muitas e muito grandes provas de amor,

Mais do que poderia pedir ou desejar!

Se não me queixo

É porque não tenho de que me queixar

Porque é grande para comigo a Vossa benignidade.

Que poderá pedir uma como eu?

Que me deis, Deus meu, com que eu Vos dê,

Para pagar alguma coisa do muito que Vos devo;

E que Vos lembreis de que sou obra das Vossas mãos

E que eu conheça quem é o meu Criador

Para que O ame.

Santa Teresa de Jesus


Imagem: Betania, Marta e Maria (2002) | Marko Ivan Rupnik, SJ – Refeitório do Centro Aletti, Roma.