Sáb. Out 23rd, 2021

70 ANOS DUDH | REFLEXÕES

Uma Declaração de Direitos, uma declaração de valores

Maria de Lurdes Ventura*

“… o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;”

(retirado do início do preambulo da DUDH)

Comemora-se no dia 10 de Dezembro o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada e proclamada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas em 1948 e aceite por Portugal em 1978, faz precisamente 40 anos.

O conteúdo desta Carta dos Direitos Humanos, elaborada no contexto extremamente difícil e penoso do pós segunda guerra mundial, continua por cumprir. Apesar de aceite pela maioria dos países do mundo e certamente bem arrumada em gavetas e ficheiros, infelizmente, passadas sete décadas, prosseguecomo ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações” – tal como na altura se escreveu na proclamação, já que, apesar da grande evolução civilizacional e tecnológica deste mundo “moderno”, a dignidade, a igualdade, a liberdade, a justiça, a paz, … são valores que continuam demasiado esquecidos na sociedade atual, continuando nós a assistir todos os dias à sua violação.

Ciente desta realidade, a CIVITAS Aveiro tem pautado a sua ação, ao longo dos anos, pela defesa e promoção dos direitos dos cidadãos, inspirada na DUDH e nos valores que lhe são inerentes. Falar de direitos humanos é também falar de participação cívica, de tolerância, de respeito pelo outro, de integridade, de segurança, de autenticidade, valores que nos vêm à memória, porque demasiadas vezes incumpridos.

A CIVITAS Aveiro, muitas vezes procurou promover a cidadania e os direitos humanos criando uma rede de intervenção com as escolas, junto dos professores e educadores dos diversos graus de ensino, em projetos com as crianças e os jovens, sempre que possível envolvendo os pais, para promover uma dinâmica crítica do pensar, do agir e do interagir que tivesse por base a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Por acreditar que a educação é fundamental na mudança de mentalidades e no despertar da consciência, como dizia muitas vezes a grande pedagoga Helena Cidade Moura, fundadora da CIVITAS Nacional e nossa inspiradora – “Cruzar os braços é que nunca!”. Porque todos não somos demais para mudar uma realidade que não aceitamos nem queremos, associamo-nos às comemorações e desafiamos todos a faze-lo, conhecendo o texto da Declaração e alargando a reflexão sobre o seu conteúdo, não permitindo que se continue a aceitar a guerra, a discriminação, a segregação racial e étnica e até a escravatura humana sem, pelo menos, manifestar indignação.

A existência da Plataforma Aveiro Direitos Humanos e da CIVITAS Aveiro são a prova de que há muita gente a acreditar que a Carta que agora faz 70 anos, não é letra morta e que vale a pena continuar a pensar que o caminho para um mundo melhor, onde todos possam ser felizes, depende do respeito pelos valores subjacentes à Declaração Universal dos Direitos Humanos, uma utopia que continuamos a querer realizar!

 

*Presidente da Civitas Aveiro

(Rubrica que se insere no âmbito das comemorações do 70º Aniversário da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Plataforma “Aveiro Direitos Humanos” / Diário de Aveiro)