Bioética e sociedade
(Parceria com o Centro de Estudos de Bioética)
Carlos Costa Gomes*
O DIA DA FAMÍLIA é um sinal ético da humanidade – apagar o dia do pai e da mãe nas escolas é um retrocesso civilizacional.
Promover todas as famílias é um sinal ético de humanidade. Apagar o dia do pai e da mãe não é inclusão, é substituição cultural. Escolas que apagam o dia do pai e da mãe, trocam a sensibilidade pedagógica por uma visão e imposição ideológica e cultural.
A análise ética desta questão pode ser feita a partir de vários princípios fundamentais: verdade antropológica, inclusão, justiça simbólica, responsabilidade educativa e bem comum.
1. Ética do reconhecimento humano: Eticamente, pai e mãe não são apenas funções biológicas. Representam experiências humanas profundas ligadas ao cuidado, proteção, autoridade, pertença e formação da identidade. Mesmo quando essas funções são exercidas de modo imperfeito — ou por outras pessoas — continuam a ter um significado simbólico forte. Por isso, eliminar referências à maternidade e à paternidade pode ser visto como uma forma de empobrecimento simbólico da linguagem humana. A ética exige reconhecer a realidade tal como ela existe, e a realidade mostra que as figuras paterna e materna têm peso histórico, psicológico e cultural.
2. Ética da inclusão: Ao mesmo tempo, há um dever ético de proteger crianças que vivem situações familiares difíceis: luto; abandono; divórcio; violência; ausência parental; adoção; famílias não tradicionais. Uma escola não deve expor crianças à humilhação emocional ou criar momentos de exclusão. O impulso para criar um “Dia da Família” nasce muitas vezes dessa preocupação legítima. Eticamente, esse objetivo é defensável: evitar sofrimento desnecessário e reconhecer diferentes contextos familiares. Incluir nunca deveria significar apagar. Uma sociedade madura consegue reconhecer todas as realidades familiares sem destruir os símbolos humanos que ajudaram gerações a crescer. Há crianças criadas por mãe e pai, só pela mãe, só pelo pai, pelos avós, por famílias adotivas ou por outras estruturas de amor e cuidado. Todas merecem respeito, dignidade e acolhimento.
3. O problema ético da substituição: A questão moral mais controversa surge quando inclusão deixa de significar “acrescentar” e passa a significar “substituir”. Há diferença entre: ampliar reconhecimento e apagar referências anteriores. Se uma instituição transmite implicitamente que pai e mãe são categorias dispensáveis ou irrelevantes, entra-se numa posição filosófica específica sobre família e identidade humana. Nesse ponto, já não estamos apenas perante sensibilidade pedagógica, mas perante uma visão cultural e ideológica sobre o que é a família. A ética pública exige prudência quando instituições educativas alteram símbolos fundamentais sem amplo consenso social.
4. Neutralidade e ideologia: Uma escola dificilmente é neutra em tudo. Mas existe uma diferença ética importante entre: ensinar respeito por diferentes realidades e promover uma redefinição cultural profunda sem debate transparente. Quando símbolos tradicionais são removidos em vez de coexistirem com novas formas de reconhecimento, muitas pessoas interpretam isso como uma imposição ideológica e não apenas uma política de inclusão. Essa perceção não é irracional. Porque símbolos têm força moral e cultural.
5. O princípio da proporcionalidade: Uma solução ética equilibrada normalmente procura: proteger crianças vulneráveis; reconhecer diferentes famílias; sem negar o valor específico da maternidade e da paternidade. Do ponto de vista ético, coexistência tende a ser mais razoável do que eliminação: manter Dia do Pai e Dia da Mãe; acrescentar iniciativas de celebração familiar mais amplas; adaptar atividades com sensibilidade humana. Itso evita dois extremos: exclusão social e apagamento simbólico. A verdadeira inclusão não elimina diferenças — integra-as. Não apaga palavras, histórias ou papéis fundamentais para evitar desconforto institucional. Uma escola deve ensinar o respeito por todas as famílias, mas também honestidade cultural e humana: há um valor próprio no de ser mãe e ser pai, mesmo quando a vida concreta nem sempre permite que estejam presentes da forma ideal. Transformar tudo isto em conceitos neutros pode parecer moderno. Mas uma sociedade sem referências claras torna-se simbolicamente mais pobre e eticamente mais injusta. A diversidade fortalece-nos, mas quando queremos enfatizar essa diversidade apagando diferenças, humanidade tende a ficar mais frágil e mais vulnerável a tendências ideológicas.
6. Conclusão ética: É eticamente legítimo promover o respeito por todas as estruturas familiares. Contudo, torna-se moralmente discutível quando essa inclusão implica desvalorizar ou tornar invisíveis os papéis paterno e materno. Uma ética equilibrada não exige negar diferenças humanas fundamentais para acolher novas realidades. A maturidade moral está mais em integrar do que em substituir.
• Reconhecer a diversidade não exige fingir que a figura do pai e da mãe perderam significado.
• Pai e mãe não são meros “rótulos ideológicos”.
• Pai e mãe representam vínculos humanos profundos, referências afetivas, educativas e culturais que marcaram a construção da civilização e da experiência humana.
• Uma escola justa promove a família e quem lhe dá origem – o pai e a mãe.
• Uma escola inclusiva não promove a inclusão quando a reboque de questões ideológicas, a realidade natural de ser pai e mãe precisam são silenciadas.
• O DIA DA FAMÍLIA é um sinal ético da humanidade, mas apagar o dia do pai e da mãe nas escolas é um retrocesso civilizacional.