Sáb. Out 23rd, 2021

70 ANOS DUDH | REFLEXÕES

A SAÚDE COMO UM DIREITO HUMANO

Desireé Daboin González*

Na Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS) está previsto que todo ser humano, sem distinção de raça, religião, ideologia política ou condição económica ou social, tem direito a gozar do melhor estado de saúde que é possível atingir. É através desta Organização que as Nações Unidas (ONU) planeiam e executam políticas para a promoção e proteção da Saúde a nível mundial, sendo a sua prioridade a prevenção e a luta pela erradicação de determinadas doenças que ameaçam à população.

Segundo dados oficiais da ONU, metade da população mundial vive sem ter acesso a um sistema de saúde eficiente, que lhe permita receber tratamentos indispensáveis como vacinas, medicamentos para combater vírus comuns como constipações ou gripe, e muito menos para tratar doenças crónicas como o cancro, diabetes, insuficiência renal, entre outras. Nalguns destes países onde as famílias não têm acesso garantido aos cuidados mínimos de saúde, devem ainda recorrer ao denominado “mercado negro” para poderem aceder a medicamentos, sendo que para isso devem pagar quantias exorbitantes, na maioria das vezes impossíveis de suportar por estas famílias que sobrevivem com muito poucos recursos, sendo que aquelas que conseguem pagar essas quantias fazem-no colocando em causa o cumprimento de outras necessidades básicas como a aquisição de alimentos, pagamento de serviços e a adquisição de bens.

Quando assistimos a uma consulta médica de rutina, ou visitamos (desafortunadamente) um hospital, damos por garantido que o atendimento que recebemos deve ser expedito, de qualidade, gratuito e efetivo, sem pararmos sequer para pensar o quão afortunado somos por termos acesso a coisas tão simples como pessoal médico de turno, enfermeiros com vocação de serviço, material médico e instrumentos mínimos como algodão, álcool, pensos, água oxigenada, injetadoras, estetoscópio, tensiómetros, quando em muitos países do mundo nem sequer este tipo de insumos e instrumentos básicos estão disponíveis nos hospitais nem podem ser adquiridos em farmácias. O nosso trabalho como cidadãos do mundo é ajudarmos estas comunidades aportando o nosso grão de areia nesse imenso mar de necessidades. Como podemos ajudar? Existem inúmeras formas de contribuir ativamente por forma a se garantir o direito humano à saúde das comunidades mais frágeis, p.e., fazendo donativos de medicamentos novos ou usados (dentro da data de validade e em bom estado de conservação) e participando ativamente na divulgação de jornadas de vacinação, despiste e prevenção de doenças.

A Venexos – Associação Civil de Venezuelanos, há já três anos que promove uma campanha de recolha de medicamentos a nível nacional (com vários pontos de recolha no distrito de Aveiro) que são inventariados por uma equipa de voluntários e enviados para Fundações e Associações na Venezuela, país onde atualmente escasseiam 98% dos medicamentos e material medico, as quais fazem a sua distribuição de forma gratuita pelos mais necessitados.

“A boa saúde é o mais valioso que alguém pode ter. Quando as pessoas estão saudáveis podem aprender, trabalhar e sustentar-se a si e às suas famílias. Quando estão doentes nada mais importa”. Tedros Adhanom Ghebreyesus Diretor Geral OMS.

*Voluntária da Venexos – Associação Civil de Venezuelanos

(Artigo que se insere no âmbito das comemorações do 70º Aniversário da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Plataforma “Aveiro Direitos Humanos” / Diário de Aveiro)