À VOLTA DO NOVO TESTAMENTO 2

Pe. Júlio Franclim do Couto e Pacheco

Leia aqui o  Apologia, de Aristides de Atenas


Aristides de Atenas (ou Aristides, o ateniense, S. Aristides ou Marcianus Aristides) foi um autor cristão grego do séc. II d.C. que é primordialmente conhecido pela sua obra Apologia de Aristides. São muito escassos os dados disponíveis acerca de Aristides: é sabido que escreveu, enquanto vivia em Atenas no fim do segundo século II, uma apologia dirigida ao Imperador Adriano ou, talvez, ao seu sucessor, Antonino Pio (138-161). Segundo a História Eclesiástica de Eusébio, o Imperador Adriano ter-se-ia convertido a uma religião mistérica quando da sua estadia na Grécia (123-127) e, na sequência de uma explosão de zelo por parte de fieis pagãos, assistiu a uma dramática perseguição a alguns cristãos. Nessa ocasião dois textos apologéticos surgiram: o de Quadrado e o de Aristides. A apologia de Aristides visa mostrar que os cristãos são os únicos detentores da verdadeira noção de Deus, demonstrando as inconsistências das concepções dos Caldeus, Gregos e Egípcios. Demonstra ainda o carácter elevado da vida moral cristã em profundo contraste com as corruptas práticas pagãs. O tom é nobre e calmo e procura testemunhar a razoabilidade do cristianismo mais por um apelo aos factos do que por subtis argumentações. Pouco se sabia sobre ele, até que monges mequitaritas publicaram partes dum manuscrito da sua Apologia, em Veneza, juntamente com a tradução em latim. Houve contestações sobre a autenticidade do manuscrito. Entretanto, em 1889, foi encontrada uma tradução completa em siríaco. A Apologia ataca severamente as religiões politeístas dos caldeus, gregos e egípcios, e, embora admita que os judeus cultuam o verdadeiro Deus, acusa-os de terem desprezado a salvação do género humano, trazida por Jesus, por não lhe reconhecer a messianidade. Desta forma, consequentemente, os cristãos possuem o verdadeiro conhecimento de Deus e podem ser distinguidos de todos os demais pela pureza dos seus costumes.