Oratório Peregrino
Um oratório à maneira de um viático para tempos de carestia
Uma proposta desenvolvida em parceria com
Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro
LX Passo | A ESPIRITUALIDADE JOSEFINA
Espiritualidade pode ser exprimida com alguns sinónimos, tais como: caminho de espiritualidade, método, modalidade, mentalidade, norma de vida, interpretação do ideal evangélico, estilo de vida religiosa… Tudo isto entendido num sentido de serviço a Deus.
A palavra espiritualidade não se encontra nos escritos patrísticos dos primeiros séculos e nem na antiga versão latina da bíblia, embora no século V esta passou a indicar uma vida segundo o espírito, a qual implica renúncia ao pecado e esforço para se aproximar de Deus. Já no século XVII este termo vinha designar quer a vida espiritual enquanto experiência vivida, a qual implica sobretudo ascese, mística, quer a ciência da vida espiritual. (Dizionário degli Istituti di perfezione, ed Paoline, Roma 1997, col 6). No século XX a espiritualidade é definida como: “um conjunto de inspirações e de convicções que animam interiormente os cristãos na sua relação com Deus, como também o conjunto de reações e de expressões pessoais ou coletivas, de formas exteriores visíveis que concretizam tal relação” (Storia della Spiritualità, in Nuovo Dizionario di Spiritualità, ed Paoline, 1985 pg 1543). Espiritualidade é ainda definida tcomo “experiência religiosa, enquanto presença vivida e encontro de comunhão com Deus”.
Seja como for, na espiritualidade está presente a fé como a abertura do homem a Deus. É crer nele e não na existência dele, ou seja, implica “acolher com consciência, com liberdade e com gratuidade a obra de Deus realizada em Cristo” como afirma o Concílio Vaticano II. Isto implica uma fé operosa na caridade. Naturalmente é a luz do Espírito Santo que nos introduz no coração da espiritualidade, e é o Espírito Santo que faz o cristão agir sob a sua ação. Foi o Espírito Santo que honrou São José com o nome de pai, como disse Orígines. Foi o Espírito Santo que o adornou de qualidades, pois houve, como afirma João de Cartagena, uma “simpatia entre o Espírito Santo e São José”. Deus procurou um homem conforme o Espírito Santo. Como o Espírito Santo foi o pedagogo de Cristo na terra, também ofoi para São José em relação a Jesus. Como o Espírito Santo operou em Maria, também operou em José. José obediente ao Espírito Santo e nele encontrou a fonte de seu amor esponsal (Redemptoris Custus nº 18).
Portanto, São José chamado para ser o Guarda do Redentor, é guiado pelo Espírito Santo de um modo especial, a fim de que corresponda ao empenho de sua missão. Justamente com Maria, José percorre o mesmo caminho traçado pelo desígnio redentor de Deus, que tem o seu fundamento no mistério da encarnação. Ele fez a “peregrinação da fé” como fez Maria (LG 58), um caminho que corresponde ao conceito de espiritualidade em relação a fé, que é a abertura do homem a Deus. Maria é bem-aventurada porque acreditou, José também é porque respondeu afirmativamente à Palavra de Deus. Portanto, na sua peregrinação de fé, Maria é acompanhada por José, seu esposo, pois ele é juntamente com Maria o singular depositário do mistério “escondido nos séculos na mente de Deus” (Ef 3,9), participando desta fase culminante da auto-revelação de Deus em Cristo.
Nele vemos uma estupenda docilidade e prontidão excepcional de obediência e de execução da Palavra de Deus, pois o seu comportamento ordinário era movido por um autêntico diálogo com o anjo que lhe indicava o que fazer: “José não temas, faz isto, parte, volta…”. Para São José o “Fiat voluntas tua” era o segredo de sua grande vida.
Oração
S. José
O Senhor fez em ti maravilhas,
Por isso a tua alma canta de alegria
E o teu espírito repousa em Deus teu Salvador.
O Senhor poisou os seus olhos
sobre a humildade do seu servo
e todas as gerações te chamarão bem-aventurado.
Deus amou-te, José,
Mais do que as aves do céu e os lírios do campo,
E te escolheu para protetor do Seu filho.
O todo-poderoso fez em ti maravilhas:
Santo é o seu nome.
Maravilhas, José, fez em ti o Senhor,
Por isso a nossa alma canta de júbilo.
Imagem: Ícone bizantino da Sagrada Família