Sáb. Out 16th, 2021

Oratório Peregrino

Um oratório à maneira de um viático para tempos de carestia
Uma proposta desenvolvida em parceria com

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro


LVII Passo | SÃO JOSÉ, EXEMPLO DE DEDICAÇÃO E DE DISPONIBILIDADE AOS INTERESSES DE JESUS

 

Os Evangelhos, embora declarem explicitamente que Jesus foi concebido por obra do Espírito Santo, não deixam de chamar José de pai de Jesus (Lc 2,27.33.41.43.48); São Bernardo (+1150) afirma que José mereceu ser chamado “Pater Salvatoris”, aliás,  mereceu de ser honrado por Deus em ser chamado Pater Dei” (PL 183,69). José, como declarou João Paulo II, “Possui plenamente a autenticidade da paternidade humana” (RC 21). Desde o momento que José recebeu o ministério de  tomar consigo Maria e de impor o nome a Jesus (Mt 1,20-25), a sua vida não teve outra razão senão aquela do serviço ao mesmo e à sua mãe. Ele fez a partir de então, um serviço ao mistério da encarnação e à missão redentora, fazendo uso da sua autoridade legal sobre a Sagrada Família como um dom de si, da  sua vida e do seu trabalho. Ele transformou a sua vocação humana ao amor doméstico, numa oblação completa de si, do seu coração, das suas capacidades, no amor colocado ao serviço do Messias germinado em sua casa, como disse Paulo VI (Homilia de 19/03/1966). Tudo isso numa disposição total de amor a Maria e com o alegre empenho na educação de Jesus (RC 1).

O Filho de Deus, feito carne e tornando-se igual a nós em tudo menos no pecado, entrou na história dos homens através de uma família, portanto, o mistério da encarnação do Verbo está em íntimo relacionamento com a família humana, e por conseguinte com cada homem; neste sentido São José é o cooperador do mistério  providencial de Deus.

Maria desde o primeiro instante da sua maternidade divina colocou-se ao serviço messiânico de Cristo (RC 20), mas ela fez isto como esposa de José, ou seja, supondo a doação de São José, e disto ela não teve dúvida e por isso ela aceitou prontamente o anúncio do anjo,  perguntando:  “Como será isso, se não conheço homem?”, e isto porque naquele momento ela consagrou-se a Deus em união com José, conforme afirma Santo Tomás. Na verdade, o casamento de ambos destinado a acolher e educar Jesus, exigia a máxima expressão de união conjugal, ou seja, um supremo grau de entrega de ambos. Se Deus no seu amor pensou Maria como mãe do Redentor, não o fez independentemente do seu casamento virginal com José, e assim como Maria foi chamada para o consentimento em ser mãe de Jesus, José da mesma forma foi também chamado ao matrimónio com Maria. Justamente porque havia a necessidade deste matrimónio para que houvesse a honrada chegada do Verbo de Deus na família humana e para que este fosse reconhecido como Filho de Davi. Daqui deduzimos o exemplo de disponibilidade de José aos desígnios de Deus.

Servir a Jesus foi sua vida, e servi-lo com dedicação completa, com amor e por amor. “Ele é o tipo de evangelho que Jesus anunciará para a redenção da humanidade… é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não é preciso coisas grandes, mas bastam virtudes comuns, humanas, simples, que sejam verdadeiras e autênticas.” (Paulo VI – Homilia de 19/03/1969). É desta sua atitude e deste seu comportamento que podemos haurir a espiritualidade josefina, e se esta assim for compreendida, serve para todos os cristãos. De fato, Leão XIII diz: “Em São José, os pais de família têm o mais sublime modelo de paterna vigilância e providência, os casados um perfeito exemplo de amor, concórdia e fidelidade conjugal…” (Quamquam Pluries). São José oferece, nas palavras do Papa João XXIII, “um exemplo de atraente disponibilidade ao divino chamamento, de calma em qualquer situação, de plena confiança, fortificada por uma vida de uma sobre-humana fé e caridade e pelo grande meio de oração” (Homilia de 17/3/1963).

Os exemplos de vida de São José, uma realidade que compõe a espiritualidade josefina, servem para todos. De fato, a Exortação Apostólica de João Paulo II: “Redemptoris Custos”, a qual não é uma simples exortação voltada para os devotos de São José, mas uma exortação apostólica dirigida para toda a Igreja, o que compreende consequentemente os bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e religiosas e todos os fiéis, é para que “todo o povo cristão não só recorra a São José com maior fervor e invoque confiadamente o seu patrocínio, mas também tenha sempre diante dos olhos o seu modo humilde e amadurecido de servir e de participar na economia da salvação” (RC 1).

Toda a Igreja é chamada à religiosa escuta da Palavra de Deus, ou seja, a ter uma absoluta disponibilidade em servir fielmente a vontade de Deus revelada em Jesus. Diante deste imperativo para todos os cristãos, São José dá- nos o exemplo, pois “Logo no princípio da Redenção humana, nós encontramos o modelo da obediência encarnado, depois de Maria, precisamente em José, aquele que se distingue pela execução fiel das ordens de Deus” (RC 30).

Disto concluímos que São José, como especial ministro na economia da salvação, é o nosso modelo, a fim de que dele aprendamos a servir a Deus. Desta forma queremos que “São José se torne para todos um mestre singular no serviço da missão salvífica de Cristo, que, na Igreja compete a cada um e a todos: aos esposos e aos pais, àqueles que vivem do trabalho das próprias mãos e de todo e qualquer outro trabalho, às pessoas chamadas para a vida contemplativa, e às que são chamadas ao apostolado” (RC 32).

Podemos dizer que enquanto os outros santos podem ser de interesse para esta ou para aquela categoria ou Instituição, a figura e o exemplo de São José dizem respeito à toda a Igreja. É dever, portanto, de todos honrarem e promoverem o seu conhecimento, a sua devoção e a sua espiritualidade.

Oração:

José, olhando o céu, contempla Deus.

José, olhando a terra, descobre Deus,

José, olhando o Filho, encontra Deus,

E amando Maria Ele ama Deus.

Ensina-nos José a viver unidos a Deus;

Ensina-nos José no trabalho e na oração.

Que a nossa vida e o nosso amor

Nos levem para Deus.


Imagem: José com a criança e a haste de flores, Alonso Miguel de Tovar [1678-1758]