Sáb. Nov 27th, 2021

Oratório Peregrino

Um oratório à maneira de um viático para tempos de carestia
Uma proposta desenvolvida em parceria com

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro


XLVI Passo | A ORAÇÃO, a alavanca que levanta o mundo

«Meu Pai, desejo que, onde Eu estiver, aí estejam comigo aqueles que Me destes, e que o mundo conheça que os amastes como Me amastes a Mim mesmo» (C 34 v).

«Assim como uma torrente, lançando-se impetuosamente no oceano, arrasta consigo tudo o que encontrou no seu percurso, do mesmo modo, ó meu Jesus, a alma que mergulha o oceano sem limites do vosso amor, leva com ela todos os tesouros que possui» (C 34 r).

«Um dia, uma das minhas professoras da Abadia perguntou-me o que é que eu fazia nos dias de feriado quando estava sozinha. Respondi-lhe que ia para trás da minha cama num espaço vazio que havia ali e me era fácil de fechar com a cortina e que ali “pensava” – “Mas em que pensais?”, disse-me ela. – Penso em Deus, na vida… na ETERNIDADE, enfim, penso!… A boa religiosa riu-se muito de mim e, mais tarde, gostava de me recordar o tempo em que eu pensava, perguntando-me se pensava ainda… Compreendo agora que fazia oração sem o saber e que já Deus me instruía em segredo» (A 33 v).

«Era neste quarto que gostava de ficar sozinha horas inteiras para estudar e meditar perante o belo panorama que se estendia diante dos meus olhos» (A 43 r).

«Como essas belezas da natureza espalhadas em profusão fizeram bem à minha alma, como a elevaram para Aquele que se agradou lançar semelhantes obras-primas numa terra de exílio que não deve durar senão um dia» (A 58 r).

«Se compreendo o meu espírito fica sem poder meditar… Nesta impotência, a Sagrada Escritura e a Imitação vêm em meu auxílio; encontro nelas um alimento sólido e todo puro !» (A 83 r-v).

«Como estes desejos constituíam para mim um verdadeiro martírio durante a oração, abri as epístolas de S. Paulo, a fim de procurar alguma resposta» (B 3 r).

«Ah, a oração e o sacrifício constituem toda a minha força; são as armas invencíveis que Jesus me deu, podem tocar as almas muito mais do que as palavras, tive muitíssimas vezes experiência disso» (C 24 v).

«Como é grande portanto o poder da Oração! Dir-se-ia uma rainha que tem livre acesso ao rei e pode alcançar tudo o que pede» (C 25 r).

«Para ser ouvida  não é absolutamente necessário ler num livro uma bela fórmula composta para a circunstância; se assim fosse, pobre de mim ! como seria digna de compaixão!…» (C 25 r).

«Fora do Ofício Divino que sou muito indigna de recitar, não tenho coragem para me obrigar a procurar nos livros belas orações, isso faz-me doer a cabeça e há tantas!… e depois elas são todas mais belas umas que as outras… Não poderia recitá-las todas, e não sabendo qual escolher, faço como as crianças que não sabem ler, digo muito simplesmente a Deus o que lhe quero dizer, sem fazer belas frases e Ele compreende-me sempre…» (C 25 r).

«Para mim, a oração é um impulso do coração, é um olhar simples lançado para o Céu, é um grito de reconhecimento e de amor, tanto no meio da prova como no meio da alegria» (C 25 r).

«A oração é qualquer coisa de grande,  de sobrenatural que me dilata a alma e me une a Jesus» (C 25 r).

«Por vezes quando o meu espírito está numa secura tão grande que me é impossível arrancar-lhe algum pensamento para me unir a Deus, recito muito lentamente um « Pai Nosso » e depois a saudação angélica; então estas orações encantam-me, alimentam-me a alma muito mais do que se as tivesse recitado precipitadamente uma centena de vezes…» (C 25 v).

«Uma alma abrasada de amor não pode ficar inactiva. Sem dúvida, como Santa Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a sua palavra doce e inflamada. Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que a sua irmã a imitasse» (C 36 r).

«Tu que atravessas o espaço

Mais veloz do que os relâmpagos

Eu te suplico, voa em meu lugar

Para junto dos que me são queridos

Com a tua asa enxuga-lhes as lágrimas

Canta como Jesus é bom.

Canta que sofrer tem encantos

E baixinho, murmura o meu nome…» (P 46, 3).

«Não foi acaso na oração que os S. tos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos, e tantos outros ilustres Amigos de Deus beberam esta ciência Divina que arrebata os maiores génios?» (C 36 r).

«Lembra-Te de que as colinas

Subias muitas vezes ao pôr-do-sol

Lembra-Te das orações divinas

Dos teus hinos de amor na hora do descanso

A tua oração, ó meu Deus, ofereço com delícia

Nas minhas orações, e no Ofício divino

Junto ao teu Coração

Canto com alegria:

Lembra-Te!…» (P 24, 14).

«Um Sábio disse: «Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo». O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia  a Deus e porque não era feito senão sob o ponto de vista material, alcançaram-no os Santos em toda a plenitude. O Todo-Poderoso deu-lhes como ponto de apoio: Ele mesmo e Ele só; e, como alavanca: a oração que abrasa com fogo de amor, e foi assim que eles levantaram o mundo, é assim que os Santos ainda militantes o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros Santos o levantarão também» (C 36 r-v).

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face