Oratório Peregrino

Um oratório à maneira de um viático para tempos de carestia
Uma proposta desenvolvida em parceria com

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor – Aveiro


XX Passo | A oração é dinâmica

 

  • A oração é o princípio de uma aventura: busca de Deus que não se esgota até ao encontro supremo; caminho até à água viva da contemplação; processo de interiorização até chegar às últimas moradas.
  • Este dinamismo manifesta-se:

– num crescimento progressivo da graça interior, que invade toda a pessoa: entendimento, vontade, forças físicas;

– numa penetração progressiva de todos os mistérios cristãos: Deus, Cristo, Trindade, Igreja…;

– numa constante assimilação de novas exigências de virtude e entrega;

– numa insaciável projecção apostólica, cheia de iniciativas.

  • Na doutrina teresiana, vida de oração equivale a perfeição ou itinerário de santidade; o diálogo de amizade abraça toda a existência.
  • Daqui nasce o carácter integral da entrega: “Como Ele não quer forçar a nossa vontade, toma o que Lhe damos, mas não Se dá a Si de todo, até que de todo nos dêmos a Ele” (C 28, 12).

 

Duas passagens do evangelho de João produzem um impacto forte em Santa Teresa. Jesus que oferece água à Samaritana junto ao poço de Jacob (Jo 4, 10-14), e o episódio do Templo na festa dos tabernáculos: «No último dia, o mais solene da festa, Jesus de pé, disse em voz alta: «Se alguém tem sede, venha a mim e beba…» (Jo 7, 37-38). A passagem evangélica que convida a todos a beber de Cristo, solta em Teresa o caudal dos desejos e converte-os em pura oração, para pedir a água viva.

Bebamos com Santa Teresa a água viva que é Cristo:

 

Ó piedoso e amoroso Senhor do meu Coração!

Vós dizeis:

«Vinde a Mim todos os que tendes sede,

Que Eu Vos darei de beber».

Pois como pode deixar de ter grande sede

Quem está totalmente ocupado com as coisas desta terra

E não se lembra de Vós?

Tem grandíssima necessidade de água

Para que as coisas não tomem conta dele.

Eu já sei, Senhor meu, que por vossa bondade lha dareis;

Vós mesmo o dizeis e

As vossas palavras não falham.

Pois se acostumados a viver nesta vida cómoda

E criados nela, não conseguem ver a sua necessidade,

Qual o remédio, meu Deus?

Vós viestes ao mundo

para remediar tão grandes necessidades como estas.

Começai, Senhor;

Nas coisas mais difíceis

Se há-de mostrar a vossa bondade e misericórdia.

Eu vo-lo peço em seu nome,

E sei que estes mortos ressuscitarão

Desde que se entendam e caiam em si

E comecem a gostar de Vós.

Oh Vida, que a dais a todos

Não me negueis a mim esta água dulcíssima

Que prometeis aos que a querem.

Eu a quero, Senhor, a peço, e venho a Vós.

Não Vos escondais de mim

Pois conheceis a minha necessidade

E qual é a verdadeira medicina

Dum coração tocado por Vós.

Ó fontes vivas das Chagas de meu Deus!

Que manais sempre, com grande abundância

Para nosso mantimento.

E que seguro andará nos caminhos desta vida

O que procurar sustentar-se

Deste divino licor!

Santa Teresa de Jesus


Imagem: Jesus e a Samaritana | Annibale Carracci [ 1593-1594] – Pinacoteca de Brera, Milão