Dom. Jun 13th, 2021

VIGÍLIA PASCAL

Não está aqui, pois ressuscitou como disse

  

No meio da quaresma que deixámos para trás, a pandemia que sofre o mundo está a fazer-nos passar por uma longa viagem através do deserto do luto perante a perda de milhares de vidas e a incerteza nas economias familiares e nacionais. Do confinamento das nossas casas temos a sensação de estarmos no meio de uma longa noite. Após semanas de resistência e de assistirmos a heroísmos diários, o sacrifício de tanta gente arriscando a vida pelo seu semelhante, estamos na noite “clara como o dia”, a noite que dá sentido e ilumina o horizonte do nosso futuro agora e na eternidade.

1. O sepulcro está vazio!

“Depois do sábado, ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria, foram ver o sepulcro”… Os quatro evangelistas coincidem que na manhã do primeiro dia da semana o sepulcro, onde tinha sido posto o corpo de Jesus, estava vazio.

A observação, por parte dos primeiros discípulos de Jesus as mulheres tiveram aqui um papel fundamental torna credível a fé na ressurreição de Jesus. Embora o sepulcro vazio não seja não a prova mais importante da Ressurreição de Jesus, contudo, ajuda-nos a entrar na lógica da vitória da vida sobre a morte. O sepulcro vazio adquire todo o seu significado através da experiência pessoal e comunitária de Cristo vivo e a revelação que lhes permite identificar o Ressuscitado com o Crucificado.

2. E eis que houve um grande tremor de terra…

Na Sagrada Escritura um juízo só é válido, se houver o testemunho de duas ou três testemunhas. As mulheres que vão ao túmulo ficam estupefactas ao encontrarem-no vazio e o temor apodera-se delas. É a reação normal perante o divino. Isto também aconteceu, ao longo da Sagrada Escritura, nas anunciações de alguns personagens da história da salvação (Sansão, Gedeão, João Batista…). Esta manifestação do divino prepara a proclamação da mensagem central para a qual convergem todos os acontecimentos. A nossa atenção deve centrar-se no conteúdo e na explicação pela qual o sepulcro está vazio.

3. Não está aqui, ressuscitou.

“Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, o crucificado. Não está aqui, pois ressuscitou como disse”. Jesus entregou na cruz de todo o ser humano para a salvação do mundo, e todo o seu ser humano volta à vida. A Ressurreição de Jesus não se limita à reanimação de um cadáver, mas é um voltar à vida para sempre, num estado totalmente novo, transcendente.

A Ressurreição dá-se no terceiro dia, e com esta expressão do evangelista quer indicar que, para além do tempo cronológico, se trata de uma Ressurreição do final dos tempos, transcendente para toda humanidade.

4. Ide, anunciai aos meus irmãos que partam para a Galileia, e aí me verão.

As mulheres afastaram-se rapidamente do sepulcro, com medo e uma grande alegria, correram a anunciar a boa nova da Ressurreição aos outros discípulos e durante a viagem é o próprio Jesus que sai ao seu encontro.

A Ressurreição é a nova criação que vem completar a primeira. Hoje, como ontem, a mensagem que brota da Ressurreição continua a ter toda a sua plenitude, porque é a resposta definitiva às grandes perguntas que a humanidade coloca a si mesma: Que sentido tem a morte? O que existe depois da morte? Agora dá a resposta com a sua própria Ressurreição: depois da morte existe para todos nós uma vida sem fim, feliz, para sempre e para todos. Continua válido para nós o que Jesus disse às duas mulheres que foram ao túmulo na manhã do dia de Páscoa: «Não tenhais medo! Ide, anunciai aos meus irmãos que partam para a Galileia (o mundo em que vivemos), e aí me verá”» (Mt 28,10).

+ António Manuel Moiteiro Ramos, bispo de Aveiro

Sé de Aveiro, 11 de abril de 2020