P. Manuel Joaquim Rocha

 

O segundo dia iniciou-se com a Oração de Laudes.

Como conferencista convidado tivemos connosco  o P. Tiago Freitas da diocese de Braga. Coube-lhe partilhar connosco o tema: “Anúncio do Evangelho: a Comunicação que gera comunhão”.

  1. Começou por citar algumas frases da nossa síntese diocesana da caminhada sinodal e sublinhou quatro: “Não sabemos as características da cultura atual, não é o seu conteúdo mas a forma”;  “a Igreja não sabe comunicar bem apesar de ter os meios necessários”; “comunicação que gera diálogo, cria pontes”; “a comunhão gera-se na comunicação”.
  2. A cultura atual: O avanço do sector terciário – comércio e serviços, comunicação e mobilidade – sobre o sector secundário – indústrias e construção –  avança nos finais dos anos sessenta. É importante ver como evoluiu a sociedade depois da Segunda Guerra Mundial, fazendo com que as mulheres voltassem a casa e os maridos assumissem, de novo, o trabalho fora.  A comunicação social aparece, então, como entretenimento onde, tudo o que homem faz é um ato de comunicação: falar ou calar; fazer ou não fazer.
  3. A cultura da comunicação assenta em três pilares:
    1. A transparência – ao contrário da desconfiança. Daí a necessidade de a Igreja criar uma cultura de diálogo com os jornalistas. Aceitarmos as chamadas e responder nem que seja para explicar o ambiente em que esta ou aquela notícia aparece.
    1. Coerência:  entre o que se anuncia e o que se faz se não, o discurso fica um discurso vazio. Deus cria uma nova forma de comunicação: a sua palavra tem um efeito performativo: “faça-se a luz! E a luz fez-se”.
    1. O que nós comunicamos tem por finalidade levar à experiência da vida em comunidade. “Não me lembro do palco, mas lembro-me das jornadas” – dizia uma jornalista. Se as palavras que usamos não forem para a construção de algo, destroem-

Após o intervalo, o P. Tiago Freitas, continuando a reflexão feita anteriormente, falou num estilo de comunicação segundo a Dei Verbum. Daqui nascem alguns critérios que devemos ter em conta na nossa comunicação em ordem a construirmos a comunhão:

  1. Uma linguagem profundamente humana porque Deus não fala como nós, mas as suas palavras têm a densidade de tudo o que humano.
  2.  Palavra incarnada: Jesus Cristo é a plenitude da palavra de Deus e isso é necessário tê-lo em conta.
  3. Deus fala por mediadores: no Antigo Testamento foi pelos profetas, hoje fala-nos pelo Espírito Santo e pelo Magistério.
  4. A ausência da Palavra. Na revelação de Deus há um paradoxo: Deus revela-se permanentemente, mas da parte do ser humano há o mistério do silêncio.
  5. A comunicação/comunhão significa que devemos cuidar as circunstâncias do que devemos comunicar.
  6. A presença acontece fundamentalmente na comunhão de uns com os outros e na comunhão eucarística.

Na comunicação não basta o voluntarismo, é necessário profissionalismo naquilo que comunicamos.

A comunicação interna e a externa: saber separá-las porque enquanto a interna cuida de nós (padres, catequistas…), para o exterior devemos ter em conta as regras da comunicação.

Um aspeto que o digital, online… nos pode ajudar é na formação cristã quer dos ministros ordenados, quer dos leigos. Pode-se fazer formação on-line e a pandemia trouxe-nos esta ferramenta que não devemos desperdiçar.

A parte da tarde foi gasta com um painel dinamizado pelo p. Querubim e onde estiveram presentes:  o Pedro Ventura pela comunicação na Diocese; o Dr. Ivan do Diário do Aveiro; O Pedro e a Catarina como casal empenhado nas tarefas da comunicação em família e a Marlene, profissional na área da comunicação.

 O tema proposto foi: anunciar o Evangelho: formas e meios de comunicação”.

Foi um tempo bastante enriquecedor onde a Comunicação foi passando do mundo em que vivemos para a Igreja de que fazemos parte. Pontos a destacar: os padres são lideres da comunidade e são assim vistos pelas pessoas daí a importância da forma como comunicamos e do público que temos diante de nós. Esta forma de comunicar passa pela família e pelo respeito a cada um dos seus elementos, desde os mais novos aos mais velhos: todos filhos mas todos diferentes. Passa por comunicar o que se faz em Igreja, particularmente na área da solidariedade. “Há tantas coisas boas que acontecem nas Igreja e ficam por saber…” disse o Ivan.  Daí a necessidade de comunicar em rede para que quem lê ou ouve, sinta que fazemos parte da mesma comunidade. Os meios a usar não são tanto as técnicas de comunicação que são importantes, mas mais a proximidade, o acolhimento.  “É essa a estratégia que está a ser usada pela Equipa das JMJ na Diocese,  rematou a Marlene”. E o painel encerrou com uma referência à mensagem do papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais onde ele nos pede que comuniquemos com o coração, referiu o P. Querubim.