P. Manuel Joaquim Rocha

O primeiro dia das jornadas começou com o tema: “A identidade do padre à luz da palavra de Deus” tema que foi desenvolvido por D. António Couto, Bispo de Lamego.

  1. No início da exposição o sr.   Bispo começou por afirmar que não é  possível nem pensável identificar a identidade do padre sem a sua aproximação a Jesus Cristo e citou o evangelho de João 19,26 onde Jesus diz à Mãe: “Eis o teu filho”. Este não é João, mas é o próprio Jesus.   Continuando a desenvolver esta afirmação partiu do sermão (carta) aos Hebreus onde se lê: “… Ele teve de assemelhar-se em tudo a seus irmãos para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e fiel em relação a Deus…” (Heb 2,1 7). É  a única vez que, no Novo Testamento, se  atribui este título de sacerdote a Jesus. Então porque é que só no fim do século I se atribui tal título a Jesus? Será que Jesus era um Messias Sacerdote? E a resposta do s primeiros cristãos seria NÃO.
  2. Olhando para o sacerdócio do AT ele era mais uma dignidade que uma vocação e  pertencia »a tribo de Levi. A condição de ser sacerdote era mais de separação em relação ao povo que der semelhança; separação também nas vestes que usavam… que devem ser santas; no II livro dos Macabeus, ser sacerdote era objeto de ambição política.  Se copmpararmo0s este estilo de vida e estas vestes, nada têm de semelhante à vida e às vestes dos Apóstolos quando são enviados (Lc 9, 1-3).
  3. “Em tudo semelhante a seus irmãos…”. Enquanto o sacerdote do AT era separado dos seus irmãos, todos os seus passos são movidos pela compaixão e pela misericórdia, nunca se separando dos seus irmãos: dá a vida pelas suas ovelhas (Bom Pastor) e vai à procura da que anda perdida; O seu estilo passa pela comoção: “amai-vos como eu vos amei”; “fazei como eu vos fiz”. É este o modo novo de Jesus ser sacerdote e que a carta aos Hebreus Lhe atribui : sacerdote por assimilação e não por separação; a misericórdia do despojamento e da compaixão. Deve por isso saber o caminho, mostrar o caminho e fazer o caminho ensinando e entusiasmando as ovelhas a segui-Lo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A segunda conferência da manhã tinha por terma: “A missão do padre, hoje”. Coube a D. António Augusto, Bispo de Vila Real fazer-nos adentrar no tema.

  1. “Olhar realista e um ouvido para escutar. Não saudosista ou derrotado porque a história não volta apar trás.” E a pergunta será: Qual o mistério, o segredo das nossas vidas de padres? Como resposta invocou três elementos essenciais: Deus,  Jesus e a Igreja
    1. Deus: A fé em Deus é o problema essencial do padre, hoje. O mundo dá sinais de não crer em Deus – sociedade do vazio. A missão do padre é ser sinal de Deus nop mundo, sem excluir a humanidade.
    1. Jesus Cristo: no início da evangelização não está uma teoria, mas uma pessoa: Jesus Cristo. No início da vocação está o encanto pela pessoas de Jesus: “Pedro, tu amas-me?  E acrescentou: “Daí a necessidade de recuar, também nas nossas celebrações – humildade –  para que Cristo apareça.
  2. A Igreja não é uma capelinha – temos aqui um problema de eclesiologia. Assumir as falhas, os pecados no seio da Igreja que é una santa e católica. Abrir-se ao seu mistério. O amor à Igreja.  Daqui algumas atitudes na missão do padre:  renovado entusiasmo pela missão: o nosso projeto é o projeto da Igreja; a Igreja não é a Igreja que eu quero às vezes exige esforço para me adaptar a ela; ser padre, hoje, é desafiante. Mais que mudar estruturas, é importante mudar as pessoas (conversão). Daí a necessidade de  testemunhos autênticos e credíveis.
  3. A terminar, apontou algumas ideias  neste modo de ser do padre: amigo próximo de Cristo; vivência espiritual da Eucaristia, direção espiritual e confissão; testemunho límpido e credível; obediência ao bispo, castidade como sinal de um coração livre e aberto a todos; sinal de proximidade de Deus ao mundo; comunhão presbiteral; testemunho de alegria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da parte da tarde aconteceu o painel que tinha por tema: “Ser padre hoje, desafios e interpelações”. Estiveram no painel, moderado pelo P. Mário Ferreira, a Irmã Lúcia das Servas; o Doutor Manuel Assunção, professor da UA, o P. Luís Barbosa, pároco de S. Bernardo e o Joaquim Fresco da paróquia de Oiã. “O Padre tem de viver tudo e em todo o lado ao mesmo tempo…” começou  por afirmar a Irmã Lucília. Mas esta afirmação colide com a falta de tempo e com as fragilidades que cada um padece. “A velocidade do tempo que vivemos e o ambiente individualista… não há tempo. Começou por afirmar o Joaquim Fresco que acrescentou: temos de passar da Igreja das multidões para as comunidades mais pequenas onde os padres não se ocupem com tarefas que não são essenciais. O P. Luís apontou três desafios para o padre, hoje: autenticidade de vida; ousadia e capacidade de preparar o futuro. Futuro este que passa por um olhar para este mundo e cumprir os objetivos do desenvolvimento sustentável. Também passa por aqui a missão do padre.