A Semana dos Seminários, que se realiza de 31 de outubro a 07 de novembro de 2021, tem como tema: “Para estarem com Ele e para os enviar a proclamar” (Mc 3,14)

O chamamento que Jesus fez aos apóstolos continua a fazê-lo hoje. Os seminários são uma continuação no tempo da obra de Cristo. A referência a Cristo é, então, a chave absolutamente necessária para a compreensão dos seminários e da vida dos seminaristas. São instituições marcantes em cada diocese, “o coração da diocese”, onde se constroem e vivem momentos memoráveis do percurso pessoal e da história das Igrejas locais.

Falar desta semana é, sobretudo, ocasião para tomarmos consciência da realidade atual, que, em alguns casos, não deixa de ser preocupante, dado o reduzido número de seminaristas. O contexto cultural, cujo influxo não está ausente do meio dos próprios cristãos, e particularmente dos jovens, ajuda a compreender a crise das vocações sacerdotais. A falta de uma adesão pessoal e viva a Jesus Cristo e de ligação maior com a comunidade eclesial coloca-se entre as causas que explicam o facto de serem poucos os jovens que decidem entrar no Seminário.

Diante das atuais dificuldades e desafios lançados é necessário que se renove e cresça o desejo de se fazer caminho em conjunto. Estamos, pois, perante um “desafio” que está ligado a um “apelo” que Deus faz ressoar no coração de todos nós e está de acordo com os desafios que o Papa Francisco pede a toda a Igreja: a renovação do rosto da Igreja passará por ser mais sinodal e menos clerical, e será o de uma comunidade cristã, em que se articulam os ministérios do presbítero, do diácono e dos leigos.

Como cristãos, redescobrimos, sempre de maneira nova, a presença viva de Cristo; olhamos para o mundo com realismo e com esperança. Hoje, o testemunho, mais do que nunca, é forma de atração vocacional, pela alegria que nasce da entrega da fé. A Jornada Mundial da juventude, que vamos celebrar em 2023, em Lisboa, é ocasião propícia para olharmos os jovens com amor, acompanhá-los nas suas opções de vida e dar-lhes protagonismo nas nossas paróquias. É hora de recomeçar, buscando caminhos novos, porque todos temos a mesma missão – a missão de Cristo.

Para que a comunhão com Cristo se aprofunde sempre mais e seja fonte perene de envio e missão, peço a todos os jovens e adultos que se sentem chamados e querem aprofundar a sua vocação no Seminário: discernir o projeto pessoal de vida à luz do Espírito de Deus, vida de oração e comunhão com Deus, amadurecimento pessoal e espiritual.

Aos sacerdotes relembro que é no ser em Cristo e para Cristo que devemos ser imagem de Jesus. Ele nos constituiu pastores para cuidarmos das suas ovelhas, com um olhar sempre atento, principalmente as que andam perdidas. O pastor é alguém que trabalha pela unidade do rebanho, que é capaz de o defender de ladrões e mercenários, ir à procura do que está perdido, apoiar o que está fragilizado ou se encontra marginalizado e confirmar o que é forte (cf. Jo 10,1-18; Ez 34).

Embora cada vocação ao sacerdócio tenha a sua história, todo o chamamento brota da vivência cristã e da participação da vida ativa da Igreja. Como Igreja diocesana temos de nos empenhar em promover e servir o florescimento das vocações sacerdotais com a oração (é por ela que se mantém viva a identidade e a autenticidade da vocação) e a vida sacramental, com o anúncio da palavra e a educação da fé, com a orientação e o testemunho da caridade.

Neste contexto quero recordar a importância de rezar pelas vocações, conforme o Evangelho, que manda pedir trabalhadores para a messe (cf. Mt 9,38). Tenho presente de que a oração pelas vocações é já uma realidade em muitas comunidades da nossa diocese, todavia, quero salientar a iniciativa do Mosteiro Invisível Vocacional do nosso Serviço de Vocações, em que todos se podem inscrever (cf. diocese-aveiro.pt/vocacoes). Todos podemos participar, assumindo a missão de rezar pelas vocações, podendo escolher a forma de oração que deseja, de acordo com a sua sensibilidade, tempo e capacidade. Este pode ser um passo no sentido de caminhar para uma maior cultura vocacional nas nossas comunidades.

A nossa diocese conta neste momento com três seminaristas, todos no Seminário Maior de Cristo-Rei dos Olivais em Lisboa; nos grupos do Pré-Seminário estão cerca de 35 rapazes, destacando-se o grupo mais velho do 12º ano e maiores de 18, que tem oito elementos, o que não sucedia há algum tempo. De todos, dos seminaristas, dos pré-seminaristas e de cada um, esperamos que o Senhor nos sustente numa resposta generosa e fiel, assente na misericórdia divina.

Este ano o nosso Seminário celebra 70 anos de início de actividades; sendo um momento importante, convido todos os presbíteros a associarem-se em celebração festiva no dia 14 de Novembro, pelas 16 horas, na Igreja do Seminário e às 21 horas, existirá um concerto a assinalar a data, no auditório, aberto a todos e de entrada gratuita.

Ao longo desta semana, somos convidados a escutar o Espírito, escutar a voz de Deus que fala no coração humano; a voltar os nossos corações para os nossos seminários, a rezar, de um modo especial, pelos seminaristas e pelas vocações sacerdotais. Desejo que este tempo sirva para despertar vocações e que os jovens redescubram a sua vocação no amor à Igreja e ao próximo. Toda a Igreja diocesana é também convidada à partilha, segundo as possibilidades de cada um, oferecendo ao Seminário a sua ajuda material e/ou económica.

Abracemos este “caminhar juntos” para que todos os que são chamados, vivendo na comunidade de fé que é o Seminário, reconheçam com maior clareza, cada dia, o chamamento que Jesus lhes faz.

No final do ano dedicado a São José, patrono dos seminários, peçamos-lhe que nos ensine os caminhos da vontade de Deus, discernindo o que o Espírito de Deus tem para nos dizer hoje nesta causa central da vida da nossa Diocese e das comunidades cristãs.

Encorajo-vos e acompanho-vos a todos com a minha oração.

____

Aveiro, Semana dos Seminários 2021

† António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro