
Nesta manhã, em Roma, faleceu o Papa Emérito Bento XVI que foi sucessor de S. Pedro entre os anos 2005 e 2013. Desejo, em sua memória, lembrar dois pensamentos que julgo poderem ser a síntese da sua vida e da sua obra.
«No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo».
«A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote».
Todo o seu pensamento foi a afirmação de que a religião e a ciência, a fé e a razão não se opõem, mas complementam-se mutuamente.
Ao Papa Bento XVI unem-me sentimentos afetivos de admiração e de veneração porque foi ele, apesar das minhas debilidades, que me escolheu, em 2012, para sucessor dos apóstolos. Lembro as palavras que então nos dirigiu em Castel Gandolfo: «O Bispo, primeira testemunha da fé, acompanha o caminho dos crentes, oferecendo o exemplo de uma existência vivida no abandono confiante em Deus. Portanto, para ser mestre autorizado e arauto da fé, ele deve viver na presença do Senhor, como homem de Deus. O vosso compromisso pessoal de santidade vos conduza a assimilar cada dia a Palavra de Deus na oração e a alimentar-vos da Eucaristia, para haurirdes desta mesa dúplice a linfa vital para o ministério».
Peço a todos os sacerdotes que nas Eucaristias deste fim de semana dirijam a Deus uma prece especial pelo Papa Emérito e na próxima quinta-feira, à hora do funeral, toquem a finados os sinos das nossas Igrejas paroquiais.
Com o meu afeto e bênção.
Aveiro, 31 de dezembro de 2022.
+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de aveiro