Casa comum | Por uma ecologia integral
Pe. João Santos*
Artigo originalmente publicado em https://pontosequestoes.blogspot.com/2021/06/um-problema-de-ecologia-humana.html
A ecologia humana diz respeito ao modo como as relações humanas se constituem e se salvaguarda o bem para cada pessoa. Como é evidente é um tema bastante profundo com implicações em várias áreas. Escrevo este post na sequência da aprovação da resolução do Parlamento Europeu no dia 24 de Junho do relatório Matic, com vista a declarar o aborto como direito humano e que visa terminar com o recurso à objecção de consciência, considerando tal decisão como recusa de cuidados de saúde.
Esta posição, tirana por si mesma, ainda que afecte os crentes mais professos e esclarecidos, atinge muitos outros, uma vez que entre os objectores de consciência estão muitos sem profissão religiosa.
Como é óbvio nesta questão existem dois direitos em choque no que toca a problemática do aborto. O primeiro é o da mulher poder dispor do seu corpo; o outro é o direito da vida do embrião e do feto. O que esta resolução propõe é acabar com este debate, assumindo de uma vez por todas que considerar e defender o direito da vida do feto é próprio de mentes menores, que devem ser oprimidos na sua consciência e impondo de facto um pensamento único, a verdade ideológica que tem no senhor Predrag Matić principal proponente.
Assim este relatório é intolerante para com todos aqueles profissionais de saúde que considerem que não devem realizar procedimentos abortivos a pedido da mulher ou ainda outros que vejam que a vida humana não depende do grau de consciência que se possui e que deve ser sempre protegida, precisamente por ser vida humana.
Esta situação traduz ainda um problema que emerge numa Europa em que uma série de políticos se vão alheando do sentir comum e das bases com que a Europa se desenvolveu. Isto provoca que aqueles que tenham por absoluto a defesa da vida humana por si e defendam o direito em recusar participar em procedimentos por atentarem contra a sua consciência se vejam a ficar sem representação política. E este é um problema político cada vez mais agudo, numa sociedade que caminha para se extremar em posições que acabarão por levar a rupturas ainda maiores.