Sáb. Out 16th, 2021
Artigo recolhido do SNPC*

«A nossa cultura vê os bebés como um gasto financeiro, uma ameaça à visão do mundo que iguala o prazer à felicidade. As famílias numerosas tornam-se desconcertantes»: esta é a perspetiva que Julie Machado, mestre em teologia, partilhou na edição diária do “Expresso”.

Em texto intitulado “Vou para o quinto filho com muito gosto”, a luso-americana confessa que fica «irritada com as várias atitudes que a maioria das pessoas» tem para consigo, pois a maior parte só diz «coisas negativas».

«Poucos são os que nos dão os parabéns e se alegram com a notícia. Quando contámos a uma vizinha que estávamos à espera de outro bebé, ela respondeu: “Bem, vocês é que sabem”», assinala.

Depois de recordar que «Portugal tem a 5ª taxa de natalidade mais baixa da Europa e uma das mais baixas do mundo», observa que «os portugueses têm uma dose a mais de “responsabilidade”, cuidado e prudência, e uma dose a menos de audácia, coragem, criatividade e capacidade de arriscar».

Para Julie Machado, «as exigências que surgem com a educação dos filhos fazem os pais cultivarem uma grande variedade de virtudes e bons hábitos, como ter paciência, acordar cedo, gastar menos dinheiro, trabalhar mais arduamente em casa e ser um bom exemplo». E acrescenta: «Se temos uma família numerosa, essas exigências serão maiores. É uma oportunidade para todos crescerem».

Se «na vida profissional, as pessoas valorizam virtudes como a laboriosidade, a tenacidade e a resiliência, que ajudam a superar obstáculos e formar melhores trabalhadores», «porque não valorizar o mesmo na vida familiar?», questiona.

«Temos um casamento feliz, gostamos de crianças e de os educar e, embora não tenhamos muito dinheiro, temos um ordenado fixo suficiente, somos jovens e saudáveis, e eu não tenho doenças que ponham a gravidez em risco», aponta.

A teóloga conclui o texto acentuando que «numa sociedade em que se valoriza tolerância e inclusão, falta apreciar a beleza duma família numerosa e duma vida nova, seja em que condições vier. Estas trazem não só vantagens para os membros da família e para a família como um todo, como para toda a sociedade».

*Rui Jorge Martins
Fonte: Expresso
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay