Sáb. Out 23rd, 2021
‘Vestigia Dei ‘- Rubrica dedicada à reflexão sobre o lugar de Deus na poesia portuguesa
(Parceria com o projeto Teotopias)

[7.] TEOTOPOGRAFAR A POESIA

O MELHOR SÍTIO PARA SABER QUALQUER COISA DA VIDA[1]

José Rui Teixeira

Regressemos só mais uma vez à ação de antologiar: já vimos como a antologia organizada por Tolentino Mendonça e Pedro Mexia é diferente das que a precederam. Em Na mão de Deus, Régio e Serpa escolhem um poema de Fernando Pessoa: «D. Fernando, Infante de Portugal»[2], da Mensagem (1934), na antologia intitulado «Gládio»[3]:

Deu-me Deus o seu gládio, por que eu faça

A sua santa guerra.

Sagrou-me seu em honra e em desgraça,

Às horas em que um frio vento passa

Por sobre a fria terra.

Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me

A fronte com o olhar;

E esta febre de Além, que me consome,

E este querer grandeza são seu nome

Dentro de mim a vibrar.

E eu vou, e a luz do gládio erguido dá

Em minha face calma.

Cheio de Deus, não temo o que virá,

Pois, venha o que vier, nunca será

Maior do que a minha alma.

José Régio e Alberto de Serpa retiram este poema do contexto da Mensagem, mudam o seu título e, silenciando a voz do Infante D. Fernando, emprestam-lhe o estatuto de «poema religioso» de Fernando Pessoa. Confesso que, se organizasse uma antologia de poesia no âmbito da teotopologia literária, teria preferido este fragmento poético do Livro do Desassossego:

Onde está Deus, mesmo que não exista? Quero rezar e chorar, arrepender-me de crimes que não cometi, gozar ser perdoado como uma carícia não propriamente materna.

Um regaço para chorar, mas um regaço enorme, sem forma, espaçoso como uma noite de verão, e contudo próximo, quente, feminino, ao pé de uma lareira qualquer… Poder ali chorar coisas impensáveis, falências que não sei quais são, ternuras de coisas inexistentes, e grandes dúvidas arrepiadas de não sei que futuro…

Uma infância nova, uma ama velha outra vez, e um leito pequeno onde acabar por dormir, entre contos que embalam, mal ouvidos, com uma atenção morna, de perigos que penetravam em jovens cabelos louros como o trigo… E tudo isto muito grande, muito eteno, definitivo para sempre, da estatura única de Deus, lá no fundo triste e sonolento da realidade última das Coisas…

Um colo ou um berço ou um braço quente em torno do meu pescoço… Uma voz que canta baixo e parece querer fazer-me chorar… O ruído de lume na lareira… Um calor no inverno… Um extravio morno da minha consciência… E depois sem som, um sonho calmo num espaço enorme, como a luz rodando entre estrelas…[4]

O texto prossegue: «De meu pai sei o nome; disseram-me que se chamava Deus, mas o nome não me dá ideia de nada. Às vezes, na noite, quando me sinto só, chamo por ele e choro, e faço-me uma ideia dele a que possa amar…»[5]. Talvez seja assim que a literatura se situa nas estâncias transimanentes de Deus como interrogação. E talvez seja assim que certos homens continuem a ser «a grande ilha do silêncio de deus»[6], como escreveu Ruy Belo. Deus entranhado nas páginas do Livro do desassossego. Deus entranhado nas páginas de Húmus (1917) de Raul Brandão:

Cheguei ao ponto, Morte. Cheguei onde queria. Tu és o meu sonho frenético. […] Cheguei ao ponto em que não te distingo da vida. Tu és a vida maior. […] Cheguei ao ponto, Morte, em que não me metes medo. Aceito-te. […] És o único mistério que me interessa. […] recebo-te, mas como um passo mais para outra iniciação, para outro assombro, e até para outra dor, se quiseres, porque da dor extraio mais beleza, mais vida e mais sonho.

… E contudo esta resignação é fictícia… Não, nunca acordei sem espanto nem me deitei sem terror. […]

Siga a vida seu curso esplêndido. Sabe a sonho e a ferro. É ternura, desgraça e desespero. Leva-nos, arrasta-nos, impele-nos, enche-nos de ilusão, dispersa-nos pelos quatro cantos do globo. Amolga-nos. Levanta-nos. Aturde-nos. Ampara-nos. Encharca-nos no mesmo turbilhão do lodo. Mata-nos. Mas, um momento só que seja, obriga-nos a olhar para o alto, e até ao fim ficamos com os olhos estonteados. Eu creio em Deus.[7]

É mesmo possível que seja assim que a literatura se situa nas estâncias transimanentes de Deus como interrogação. Profissão de fé tremenda, esta… diante da morte. Se tivermos em consideração a intensa trama existencialista de Húmus, percebemos o drama de uma fé que freme: uma fé-frémito.

Recordo, a esse propósito, o modo como Manuel Laranjeira – talvez refletindo sobre a sua própria fé – descreve a fé de Unamuno numa passagem do Diário íntimo, no dia 15 agosto de 1908:

Unamuno ainda. Com a violência de quem precisa enganar-se. Unamuno proclama a fé. Compreendo: Unamuno quer ter fé, debate-se e sente-se homem – sem fé. Raciocinar a fé é duvidar. A fé morreu. Unamuno quer reanimar as cinzas mortas e desvaira porque as cinzas lhe gelam as mãos. A fé não se demonstra, crê-se. E Unamuno quer demonstrar a fé. Eis o seu drama íntimo.[8]

No dia seguinte, Manuel Laranjeira regressa ao seu diário: «Penso em Unamuno e no seu drama íntimo. O grito de fé deste homem faz-me lembrar uma lâmpada que, antes de extinguir-se, despede clarões mais intensos, mais vivos»[9]. «Al rector de Salamanca le interesaron siempre hombres de la estirpe moral del médico de Espinho, hombres atormentados», escreve García Morejón, que oportunamente acrescenta: Unamuno «había descubierto el retrato más vivo del hombre de pasión portugués después de la desesperación de Antero»[10].

Estou convencido de que a relação com Manuel Laranjeira, entre 1908 e 1912, afeta significativamente a trama de Del sentimiento trágico de la vida (1913). Com efeito, Laranjeira não ensinou Unamuno a ver apenas a alma trágica de Portugal, como ele próprio confessa: «me enseñó a ver no pocos rincones de los abismos tenebrosos del alma humana»[11].

E tudo isto traz-me à memória essas outras palavras de Unamuno, quando escrevia sobre Espinosa, em Del sentimiento trágico de la vida: «Como a otros les duele una mano, o un pie, o el corazón, o la cabeza, a Spinoza le dolía Dios»[12]. Unamuno sabia que também a Laranjeira «le dolía Dios». E como não encontrou na vida lenitivo para essa dor, assumiu a postura de apóstata, descrente de tudo, ímpio que avoca o suicídio como um ato de sedição, como se lê nessa notável «Blasfémia inútil»:

Diz esta lenda vã

que tu, minh’alma, és barro convertido

em espírito, ao sopro do Senhor…

Mas revoltou-se o pó: veio Satã

tentar-te com o fruto proibido

e ensinar-te o caminho do amor

– e da culpa saborosa…

E tu, alma rebelde, ambiciosa,

querendo igualar Deus, foste punida…

Mas Deus sabe punir e perdoar,

alma caída;

Deus ama ainda a vida, e deu-te a Dor

em redenção, pra voltar

até ele, de novo, arrependida…

Alma rebelde, suicida,

seja a Obra maior que o Criador:

sê maior que Deus – despreza a vida…[13]

Pergunto-me se arriscaria incluir este impressivo poema numa antologia de poesia no âmbito da teotopologia literária: uma antologia de poesia dolente de Deus.

Recentemente, numa leitura comparada de Húmus de Raul Brandão e de Grito de Rui Nunes, apercebi-me que essa fé-frémito é um sintoma que invariavelmente ocorre na vida e na obra daqueles que, consciente ou inconscientemente, assumem o risco de ser-habitar «a grande ilha do silêncio de deus», coabitá-la – uma teotopia literária, portanto. E dói-lhes Deus, invariavelmente.

A dor como um halo em torno «dessas figuras imóveis, e sobre elas outra figura maior, curva e atenta, que há séculos espera o desenlace»[14]. A dor, esse «animal insaciável»[15] – e as figuras imóveis, e essa outra figura maior. «Deus é uma pequena coisa», disse-me Rui Nunes uma vez. Uma pequena coisa e um grande silêncio.

Talvez seja Deus esse «tu» com quem Brandão enseja um monólogo: «Tu não existes! tu não existes! […] – E tu rodeias-me, tu reclamas-me e queres viver comigo para todo o sempre. Não te posso ver!…»[16]. Ali em Húmus, como aqui em Grito:

que voz se insinua nas vozes e nelas produz os interstícios da soletração? Há um ouvido a ouvir os sons maculados, e deus não nasce, deus não morre, deus é o nome que oscila entre dois abandonos.[17]

Se a morte é o semantema implicitamente predominante nestas duas obras, Deus é a interrogação que perpassa suas paisagens desoladas. E a relação difusa que aqui se estabelece é o sitz im leben da nostalgia de absoluto, ali em Húmus tão expressivamente agónica: «Toda a gente fala no céu, mas quantos passaram no mundo sem ter olhado o céu na sua profunda, na sua temerosa realidade?»[18]. Ali em Húmus, como aqui em Grito, apercebemo-nos que o mundo estava parado na noite dos sons e que o «céu era o som que mais se aproximava de Deus, a clara perfeição do que se ouvia»[19]. Aprendemos que Deus – com «d» maiúsculo ou minúsculo – chega «como uma eira silenciosamente branca»[20] e espera as palavras que o enredem num segredo[21].

Trata-se de um Deus desfigurado, sem rosto; despossuído. Ocasionalmente, uma personagem sabe que Deus não dorme; acredita que a sua própria insónia contém todos os sinais da insónia de Deus – «Deus é uma eterna insónia»[22]. «Nenhuma palavra diz o presente, Deus disse, Deus não diz»[23] – ocasionalmente, uma personagem sabe que o presente é o passado de Deus.

E, ali em Grito, como aqui em Húmus, enquanto as personagens se apertam no «pressentimento de uma absoluta solidão»[24], é a dor o que interessa. E é ainda um Deus temporalmente desfasado, essa outra figura maior. E o homem é, disforicamente, esse animal aflito:

Outro ano ainda! Outro passo ainda para a morte! Sinto uma dor sem gritos por trás da imobilidade. Cada hora é menos uma hora na minha vida. E o tempo foge, o tempo cor de mata-borrão que ao granito salitroso junta camada denegrida, e às almas sepultadas outra pazada de cinza… Há momentos em que as figuras têm tanta vida como os santos imóveis nos seus nichos – mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: – Eu não vivi! eu não vivi! – Há momento em que deparamos com outra figura maior que nos mete medo. A vida é só isto? Por mais que queira não posso desfazer-me de pequenas ações, de pequenos ridículos, não posso desfazer-me de imbecilidades nem deste ser esfarrapado que vai de polo a polo. Tenho de aturar ao mesmo tempo esta ideia e este gesto ridículo. Tenho de ser grotesco ao lado da vida e da morte, mesmo quando estou só o meu riso é idiota. E estou só e a noite. Por trás daquela parede fica o céu infinito.[25]

Ali em Grito, como aqui em Húmus, o tempo tem metástases e a consciência é um coágulo, até se tornar um corpo que obstrui, um êmbolo. Brandão insiste. Sabe que o tempo chega para tudo, o tempo dura séculos. Brandão sabe que «dentro de cada ser como dentro das casas de granito salitroso, as paixões tecem na escuridão e no silêncio, teias de escuridão e de silêncio»[26]. Situa-se meticulosamente na periferia da realidade: «O nosso mundo não é real: vivemos num mundo como eu o compreendo e o explico. Não temos outro. Estamos aqui como peixes num aquário»[27]. Está dentro do aquário, mas observa-se a si mesmo de fora do aquário. E denuncia:

E sentindo que há outra vida ao nosso lado, vamos até à cova sem dar por ela. E não só esta vida monstruosa e grotesca é a única que podemos viver, como é a única que defendemos com desespero. […] Estamos aqui a representar. Estamos aqui todos ao lado da morte e do espanto […]. Estamos aqui a matar o tempo.[28]

Ali em Húmus, como aqui em Grito, ouve-se a mesma ruína, «a mesma exposição do abandono»[29], a mesma voz que atravessa o mesmo declínio[30]. E Rui Nunes – enquanto escreve «contra a mudez do olhar que espia»[31] – reconhece que o grito que habita a casa[32] é um grito mudo: um grito que se vê, mas não se ouve: essa tão grande «falta de som que vem da boca entreaberta»[33], boca que está cheia de eu não querer falar; boca que está cheia de eu me calar – boca que «é um animal espesso»[34].

E assim – ali em Húmus, como aqui em Grito – se chora o lugar desocupado[35]; assim tudo «vem à superfície da sua solidão»[36]; assim, como «não há noite que me proteja desta noite que a sombra ilumina, fico parado no seu interior como na dispersão»[37]; e assim Deus é ainda essa pequena coisa que me falta:

falta-me o teu corpo e é Deus que me falta, falta-me a tua voz e é Deus que me falta, falta-me a tua pele e é Deus que falta, tu és um erro que alimentei, a monstruosidade de um erro a que soube dar nome […] e onde não descanso. Tornaste-te a palavra mais pobre: a da sobrevivência.[38]

Pergunto: que tipo de antologia seria a que reunisse alguns destes textos? Diferente, por certo, de Verbo – Deus como interrogação na poesia portuguesa, assumindo mais ou menos riscos, descomedindo-se ocasionalmente.

Sim, queremos ainda saber de que modo a literatura contemporânea, recusando a banalidade intranscendente, se situa nas estâncias transimanentes de Deus como interrogação. Noutra perspetiva, mas com a mesma intencionalidade referencial: queremos saber de que modo Deus habita a literatura – a poesia –, tendo em consideração, neste caso, a poesia portuguesa e, mais especificamente, a poesia portuguesa contemporânea, do nosso tempo (de indigência).

É interessante que em Portugal, na década de 90, uma poetisa – então septuagenária – como Dalila Pereira da Costa e um jovem poeta como Daniel Faria, tenham publicado obras tendencialmente místicas[39].

Dalila Pereira da Costa subordina a sua expressão literária às funcionalidades oraculares de uma obra híbrida, que não desobstruiu um lugar para si na história da literatura portuguesa, mas que assegurou, no entanto, a continuidade com uma tradição de poetas de tendência mística, ocasionalmente sincréticos e esotéricos, para os quais foram sempre pouco definidas as fronteiras entre literatura, pensamento filosófico e experiência religiosa. Daí as ressonâncias partilhadas com o gnosticismo de Teixeira de Pascoaes.

Em relação a Daniel Faria, arrisco afirmar que – no âmbito da teotopologia literária – ocupa no final do século xx o lugar de destaque que Antero ocupou no final do século xix. A relação de Daniel Faria com a transcendência é, talvez, menos contundente do que a de Antero, mas nem por isso é menos agónica:

Não tinha nada donde vim. Aqui não encontrei

O que tive e a cadeira não serve o meu repouso.

Ainda não há lugar no mundo onde possa sossegar de tu não seres

O vazio que persiste à minha beira.[40]

Se queremos saber de que modo a literatura portuguesa contemporânea se situa nas estâncias transimanentes de Deus como interrogação, teremos de escutar atentamente a voz deste poeta que morreu com apenas 28 anos, em 1999.

Tolentino Mendonça e Pedro Mexia dão-lhe um lugar de destaque na antologia Verbo – Deus como interrogação na poesia portuguesa: dos quinze poemas que o representam, nove são do livro Homens que são como lugares mal situados (1998) e seis de Dos líquidos (2000). Mas talvez seja em Explicação das árvores e de outros animais (1998) que melhor se percebe a intensa luta interior do poeta, entre a consciência de promessa não cumprida e a espera dolorosamente prolongada: «Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa/ Nem se cumpriu/ E a espera é não acontecer […]/ E a saudade é tudo ser igual»[41].

A temporalidade tende a ser, para Daniel Faria, uma mortificante experiência de desterro. Mais ou menos inconformado, o poeta não disfarça a desolação diante da ausência de Deus ou da sua presença não pressentida. Por vezes, escuta-se um rumor de maceração nos seus versos:

Vou-me pôr à mesa e esperar.

Tenho aflição por toda a ausência não anunciada

Acendi a luz por toda a casa e eletrifiquei a voz

Agora posso ampliar o clarão dos gritos.

[…]

Vou-me sentar à mesa. Vou deixar arrefecer a comida.

Fazer de conta que estou a esperar.[42]

«Um modo de te amar dentro do tempo»[43] é a expressão da saudade de Deus na obra deste poeta que nas árvores não buscou o lenitivo das raízes, mas a «incomparável paciência de procurar o alto»[44].

Se queremos saber de que modo a literatura contemporânea se situa nas estâncias transimanentes de Deus como interrogação, teremos de ler atentamente a Obra Poética[45] de Sophia de Mello Breyner Andresen, a Obra inacabada[46] de Fernando Echevarría e A noite abre meus olhos[47] de José Tolentino Mendonça, mas não podemos evitar outros lugares, eventualmente mais inóspitos, teotopias mais improváveis, desabridas como certos lugarejos fronteiriços.

[1] Ruy Belo, Todos os poemas, p. 59.

[2] Fernando Pessoa, Mensagem, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004, p. 30.

[3] Cf. Na mão de Deus – Antologia de poesia religiosa portuguesa, p. 304.

[4] Fernando Pessoa, Livro do desassossego, p. 107.

[5] Ibid.

[6] Ruy Belo, Todos os poemas, p. 58.

[7] Raul Brandão, Húmus, Lisboa, Relógio D’Água, 2015, pp. 224-225. Lembra este texto, esse outro – magnífico – com que Brandão prefacia as suas Memórias: «Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura de uma pedra. Não sei – nem me importo – se creio na imortalidade da alma, mas do fundo do meu ser agradeço a Deus ter-me deixado assistir um momento a este espetáculo desabalado da vida» – id., Memórias, p. 11.

[8] Manuel Laranjeira, «Diário íntimo» (15 de agosto de 1908), in Obras de Manuel Laranjeira, Porto, Edições Asa, 1993, pp. 271-272.

[9] Ibid. (16 de agosto de 1908), p. 272.

[10] Julio García Morejón, Unamuno y Portugal, Madrid, Ediciones Cultura Hispánica, 1964, p. 459.

[11] Miguel de Unamuno, «Prefácio», in Manuel Laranjeira, Cartas, Lisboa, Portugália Editora, 1943, p. 20.

[12] Id., Del sentimiento trágico de la vida, Madrid, Alianza Editorial, 2013, p. 34.

[13] Manuel Laranjeira, «Comigo (Versos dum solitário)», in Obras de Manuel Laranjeira (vol. i), p. 192.

[14] Raul Brandão, Húmus, p. 56.

[15] Rui Nunes, Grito, Lisboa, Relógio D’Água, 1997, p. 24.

[16] Raul Brandão, Húmus, pp. 59-60.

[17] Rui Nunes, Grito, p. 53.

[18] Ibid., p. 59.

[19] Rui Nunes, Grito, p. 116.

[20] Ibid., p. 123.

[21] Cf. ibid., p. 62.

[22] Ibid., p. 114.

[23] Ibid., p. 115.

[24] Ibid., p. 27.

[25] Raul Brandão, Húmus, p. 60.

[26] Ibid., p. 59.

[27] Ibid., pp. 60-61.

[28] Ibid., p. 61.

[29] Rui Nunes, Grito, p. 70.

[30] Cf. ibid., p. 69.

[31] Ibid., p. 120.

[32] Cf. ibid., p. 32.

[33] Ibid., p. 57.

[34] Ibid., p. 110.

[35] Cf. ibid., p. 70.

[36] Ibid., p. 59.

[37] Ibid., p. 122.

[38] Id., ibid., p. 120.

[39] A questão dos critérios que nos permitem considerar místico um poeta – e mística uma poética – carecem de algum aprofundamento. Sugiro, sobre esta questão: Miguel García-Baró, De estética y mística, Salamanca, Ediciones Sígueme, 2007.

[40] Daniel Faria, Poesia, Porto, Assírio & Alvim, 2015, p. 57.

[41] Ibid., p. 110.

[42] Ibid., p. 41.

[43] Ibid., p. 85.

[44] Ibid., p. 44.

[45] Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética, Lisboa, Caminho, 2011.

[46] Fernando Echevarría, Obra inacabada, Porto, Edições Afrontamento, 2006 (vol. i) e 2016 (vol. ii).

[47] José Tolentino Mendonça, A noite abre meus olhos, Porto, Assírio & Alvim, 2014.

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Textos recolhidos de TEIXEIRA, José Rui – Vestigia Dei: Uma leitura teotopológica da literatura portuguesa. Maia: Cosmorama Edições, 2019, 78pp.