ROSTO DE MISERICÓRDIA
PORFÍRIO VIEIRA CARVALHO E SILVA
Pe. Georgino Rocha
Porfírio Vieira Carvalho e Silva nasce em Requeixo a 4 de Abril de 1928 e radica-se na Póvoa do Valado. Dotado de um admirável modo de ser e agir, é reconhecido pelo seu espírito de bondade, de capacidade de escutar, de confiar nas pessoas, fazendo-as reconhecer no seu valor. Profundamente crente, de uma fé viva provada nas adversidades e limitações, dedica-se ao bem comum, ao exercício da cidadania, ao apostolado, ao serviço de quem mais precisa de ajuda e conforto.
Vem a morrer aos 94 anos, de doença prolongada. Vida cheia de bem-fazer parte ao encontro de Deus misericordioso que sempre amou e serviu. Vida longa onde perpassam vestígios da nossa história comum, políticos e religiosos.
“Igreja Aveirense” evoca a memória abençoada de Porfírio Carvalho e Silva e regista algumas facetas da sua vida e do seu itinerário humano e apostólico.
Era assim o meu Tio
Era bem criança e já ele me fazia sentir importante, como se a minha opinião tivesse valor nos meus pouco mais de 9 anos de idade. Ele era o primeiro a confiar na humanidade de cada um de nós, fazendo-nos melhores do que aquilo que éramos. Ele ouvia e sempre fazia o exercício de, colocando-se no papel do outro, compreender o seu sentir. Assim era para o amigo, o vizinho, o doente a quem dava a comunhão, o político, o adversário ou não, o autarca, o freguês. A aceitação da diversidade era o seu exercício e compromisso de missão na terra. Mercedes Carvalho.
Vida a construir comunidades
A sua vida foi de contínua construção de comunidades. Foi referência, exemplo, testemunho sempre reinventado. Um homem culto, excepcionalmente delicado, de liderança servidora, de grande humanismo e proximidade. Também viveu da mobilidade humana, como emigrante.
Cidadão atento ao previsível alcance do evoluir das circunstâncias, foi um dos obreiros da criação da Freguesia de Nossa Senhora de Fátima e presidente da Junta entre 07/01/1986 e 23/07/1993, promovendo com o seu inestimável contributo o desenvolvimento local.
Quem com ele teve oportunidade de privar e de trabalhar destaca a sua vertente social e humanitária, que merece um profundo respeito e a admiração de todos, indo muito para além das funções institucionais. Porfírio Carvalho é, assim, reconhecido como um homem de causas, um homem de bem e um amigo do seu amigo. Leonor Simões.
Homenageado pela Câmara Municipal de Aveiro
O Presidente da Câmara, em nome do Municipio, homenageia Porfírio Carvalho e Silva, enquanto homem político e inclui-o entre as gerações jovens, “exortando os Nossos Jovens a assumirem com coragem o gosto pelo trabalho e a luta pela qualidade, como boa parte das coisas boas da vida.
Agradecemos a Todos a partilha de vida e de energia, reconhecemos com a formalidade da Distinção Honorífica Municipal os seus contributos para a valorização do Município de Aveiro, na certeza de que vamos Continuar Juntos a fazer Mais e Melhor para a Nossa Terra e para a Vida da Nossa Gente. Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro 12 de Maio de 2022.
Diácono Permanente
Homem de fé, católico, deixou as responsabilidades políticas e foi ordenado Diácono Permanente por D. António Marcelino, a 15 de Agosto de 1993, na Sé de Aveiro. O ministério que lhe é confiado abrange o serviço paroquial e a pastoral da família, além de reforçar a sua comprovada dedicação aos doentes e idosos. Esteve sobretudo ao serviço da paróquia de Oiã e ocasionalmente colabora com o pároco de Requeixo.
Aqui, Oiã, foi colocado para ajudar o seu irmão, Padre Manuel Carvalho, de boa e saudosa memória […]. E aqui foi ficando, porque necessário e sempre de uma disponibilidade permanente, largando máquinas, carros e campos e família para vir para outra seara onde só soube fazer amigos e lançar a palavra viva, vivida. Com a morte do irmão, aqui se manteve no tempo do Padre Artur Tavares, vivendo um tempo de muitas obras… Quando adoeceu, o Padre Artur, foi o diácono Porfírio que assumiu as responsabilidades inerentes às Celebrações da Palavra, cerimónias fúnebres, movimentos de catequese e outros, numa doação total, sempre com a boa disposição e o bondoso sorriso habitual. E o Padre Mário Ferreira, novo pároco, confirmou-o na colaboração paroquial. Armor Pires Mota
Ser Diácono é estar disposto a Servir. Sempre.
Louvado seja Deus, que nos deu a graça de ter este homem de fé, íntegro, um dos nossos, simples, próximo… como cristão e servidor consciente e ativo nesta Comunidade Paroquial de Oiã, sempre disponível para tomar como sua a vontade de Deus.
A sua atividade pastoral decorreu sobretudo em Oiã, colaborando com os seus Párocos. Com aquela simplicidade e aquela grandeza de alma que sempre o caracterizou, com a serenidade da sua fé e uma alegria feita de paciência e espanto, de dor e resistência, de coragem e esperança, deixando “barco e redes”, ou melhor, deixando um pouco a terra e a política, levou-o a empenhar-se, em concreto, nas celebrações dominicais, nos grupos bíblicos e grupos de oração que dirigiu, na preparação para batismos, para o matrimónio ou na catequese crismal de adultos…
Algumas foram as vezes que nos disse: “Qualquer tipo de trabalho pastoral é do meu agrado, mas o da pregação é especial.” E acredito que o fosse, dada a paixão e veemência que punha nas suas homilias. Só que mais do que pela palavra, creio que foram os seus atos, o seu exemplo, a sua inteira disponibilidade para o serviço paroquial, qualquer que ele fosse, que o tornaram marcante na comunidade. Tão marcante que para os mais novos da catequese, que se habituaram a ver nele a figura de um avô próximo, já ligeiramente curvado ao peso dos anos, o cargo que desempenhava ficou associado ao seu nome.
Para eles, a palavra Diácono deixou de existir no seu dicionário, sendo substituída por Porfírio! “Também gosto muito deste Sr. Porfírio” disseram muitas vezes em relação aos novos diáconos que o substituíram no serviço paroquial. E talvez seja mesmo este o maior elogio que se lhe possa fazer. O de ter cumprido tão fielmente e abnegadamente a missão que lhe foi confiada que acabou por se confundir com ela no coração da comunidade.
Seguindo o exemplo do Diácono Porfírio, tornaremos o nosso mundo bem mais humano, porque bem mais cheio de Deus, Pai amoroso de todos os homens.
O Senhor o recompense e à sua esposa, Maria da Conceição Simões, na alegria eterna da Casa do Pai. Padre Mário Ferreira
Eu não me sinto velho
O Diácono, o presidente da Junta, o catequista, o Tio… que nos seus mais de 80 anos me dizia: Sabes? “Eu não me sinto velho” É referência, exemplo, testemunho, de uma vida reinventada muitas vezes e sempre à-frente do nosso tempo. Fica um espaço vazio a preencher pela grandeza da sua humanidade e a bênção da sua vida. Com amor, querido Tio. Mercedes.
“Igreja Aveirense” apresenta o testemunho do diácono Porfírio com especial relevância para os diáconos da nossa diocese, vivos e falecidos, bem como os familiares, e augura aos que serão ordenados, proximamente, fecundo apostolado, vivido na alegria do Evangelho.