Sáb. Nov 27th, 2021

Qual o lugar privilegiado de debate entre ciência e fé?

Miguel Oliveira Panão

Na sequência dos 100 anos de celebração das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, todos reconhecem como nesse evento há uma forte tonalidade de um debate cultural incontornável entre ciência e religião. Não restam dúvidas de que esse é um dos debates mais longos da história da humanidade e permanecerá assim. A razão é simples. É um debate exterior, sem dúvida, mas sobretudo interior. Todos nos questionamos sobre Deus à luz do que sabemos explicar sobre o mundo, mas é também importante questionar aquilo que sabemos explicar sobre o mundo à luz daquilo – pouco – que sabemos de Deus. Daí a importância de nos reconhecermos, de algum modo, em alguma das diversas formas de interacção entre ciência e religião.

Existem essencialmente 4 modos de interacção.

  1. Conflito

No conflito ciência e religião não se cruzam de forma alguma. Quem é cientista não pode ser religioso e vice-versa.

  1. Independência

Este é mais conhecido como Magistérios que não se cruzam (NOMA – Non-Overlapping MagisteriA), ou seja, são partes do ser humano distintas, sim, mas que nada têm uma a ver com a outra.

  1. Diálogo

A ciência esclarece a fé e a fé mantém aberta a mente do cientista ao desconhecido e alimenta o profundo desejo de saber. Ciência e fé no diálogo interagem e dão uma visão unitária do conhecimento.

  1. Integração

Quando ciência e religião se integram, pretende-se ir mais longe do que o diálogo e ideias teológicas podem ser reformuladas à luz de nova ciência.

Estes modos são desenvolvidos num excelente livro de Ian BarbourWhen Science meets Religion” que – curiosamente – não está ainda traduzido em português.

A importância de categorias é mais do que saber enquadrar cada pessoa numa delas. É uma questão de identidade e sobre essa identidade saber construir uma relação com todos.

Já pensaste alguma vez como ciência e religião interagem em ti?