À VOLTA DO NOVO TESTAMENTO 2
Pe. Júlio Franclim do Couto e Pacheco
Leia aqui a Antologia de S. Melitão de Sardes
Imagem: Um dos Papiros de Chester Beatty com um trecho de uma homilia de Melitão de Sardes
Até há pouco quase nada se sabia de Melitão, bispo de Sardes, na Ásia Menor, mais que o testemunho chegado até nós, segundo o qual tinha vivido santamente deixando mais de uma vintena de escritos cheios de sabedoria. Tais escritos tinham-se dado por perdidos, e não se conhecia deles mais que os títulos que haviam conservado os historiógrafos antigos, e algumas breves citações. Mas recentemente se descobriram-se dois códices papiráceos procedentes das areias do Egipto que contêm um discurso sobre a Páscoa que foi atribuído quase com geral consentimento a Melitão. O discurso está escrito num estilo rico com ritmo poético e entoação lírica. Esta peculiaridade de estilo fez pensar que o discurso de Melitão, mais que uma homilia pascal é uma espécie de praeconium ou canto lírico que formava parte da celebração litúrgica da Páscoa. O interesse dogmático do discurso está, sobretudo, na elaboração da sua doutrina cristológica e soteriológica: sublinha-se por sua vez a divindade e preexistência de Cristo e a realidade da sua encarnação, o carácter sacrificial da sua morte e o sentido figurativo de todo o Antigo Testamento, particularmente do cordeiro pascal. Sublinha-se igualmente a prostração do homem sujeito ao pecado e dominado pela morte, e, sobretudo, a grandeza do triunfo e da glória de Cristo que, com a sua ressurreição e ascensão levou os homens até às alturas dos céus. Assim fica bem assinalado o carácter da Igreja como conjunto dos que vivem da nova vida que Cristo veio dar aos homens.