Seg. Jun 14th, 2021

No 20.º aniversário da Morte do Pe. Arménio

Padre Arménio – Músico. A sua relação com os órgãos de Aveiro [2]

Domingo Peixoto
  1. A formação musical no Seminário

          Os Seminários forneciam aos futuros padres uma formação musical abrangente para a prática do canto litúrgico e, na medida do possível, do acompanhamento no instrumento então generalizado, o harmónio. Concretamente,

– Uma componente geral, para todos: Solfejo, prática do Canto gregoriano e de cânticos em vernáculo;

– A prática polifónica para vozes escolhidas, no Coro ou Schola;

– A aprendizagem de um instrumento de tecla (piano e harmónio), para quem revelasse aptidões para isso;

– Mais tarde, (durante os estudos de Filosofia e Teologia), Harmonia para os que revelassem aptidões para a Composição.

          Relativamente aos organistas, tratava-se de uma formação prática, voltada para a leitura e para o acompanhamento da liturgia, diferente da que actualmente se ministra nos conservatórios ou no ensino superior. Aos mais habilitados – os organistas oficiais – competia a execução de peças a solo, com destaque para a ‘marcha’, no fim da missa. Os métodos utilizados eram, para o piano, os estudos de Carl Czerny e, para o harmónio, o Méthode d’Orgue ou Harmonium de Louis Raffy, complementado com a colectânea Organistes Célèbres, dirigida pelo mesmo autor.

          Estávamos sob a hegemonia do harmónio, instrumento que nada tem a ver com a técnica estritamente organística, nem com a indissociável ciência da registação. De resto, dos professores dos seminários, apenas Manuel Faria (1916-83) estudara Órgão em Roma, disciplina que fazia pare do plano de estudos do seu curso de Composição.

          No Seminário de Nossa Senhora da Conceição (1.º-4.º ano), foi professor do Pe. Arménio o Pe. Manuel de Faria Borda (1914-92), que estudara Piano e Composição no Conservatório de Música do Porto sob a orientação de Lucien Lambert (1858-1945), complementando a sua formação em Salamanca. É autor de vasta obra, constituída por elevado número de cânticos com acompanhamento de harmónio, diversos trechos mais elaborados para coro e um solista e, ainda, um Te Deum para coro e orquestra. O Pe. Arménio integrou o naipe dos sopranos dos Pequenos Cantores da Imaculada, coro fundado pelo Pe. Borda em 1944; daqui resultaria, provavelmente, o nome do coro que viria a criar em Abril de 1968 e ficaria célebre na cidade de Aveiro – os Pequenos Cantores da Glória.

          Nos Seminários de São Pedro e São Paulo (Filosofia) e no Seminário Conciliar (5.º ano e Teologia), o Pe. Arménio teve como professor Manuel Faria – sem dúvida o mais eminente compositor entre o clero português no séc. XX – sob cuja orientação prosseguiu os estudos de música teórica e prática. Os estudos de Harmonia foram feitos mais tarde, no Conservatório de Aveiro[1].

[1] Segundo o seu condiscípulo Pe. Domingos Coutinho da Silva, chegou a ser organista oficial (Sinfonia, pp.69-71).

(Foto: http://www.facteo.braga.ucp.pt/component/k2/item/33-historia-da-faculdade-de-teologia-braga)