Seg. Jun 14th, 2021

No 25.º aniversário da morte de Júlia d’Almendra (1904-92) (7)

A formação do organista – uma prioridade

Por Domingos Peixoto

Na escola fundada por Júlia d’Almendra o curso de Órgão ocupa um lugar especial: é o mais longo e o único a ser regido por um professor estrangeiro residente. Esta opção é assim justificada no comentário a um concerto por A. Sibertin-Blanc no dia 8 de Dezembro de 1961:

“O contacto com culturas diferentes e com artistas de outros meios é sempre de maior vantagem para o impulso e desenvolvimento de qualquer ramo artístico. Prova-o, mais uma vez, a crescente familiaridade do público com a literatura e arte do órgão de que tão atrasado se encontrava, graças ao movimento gerado pelo CEG com base no seu curso daquele instrumento. Para o ministrar, têm sido convidados professores do país onde as tradições conservam no apogeu a melhor escola de Órgão da actualidade, a França. E assim, em curto prazo, passaram já por Lisboa alguns excelentes organistas [Édouard Souberbielle, Geneviève de La Salle, Jean Guillou, Claude Terrasse, Germaine Chagnol e Pierre Gazin] que, através das suas lições ou dos seus concertos nos templos, na rádio e na televisão, vêm deixando boas sementes, que começam a dar os seus frutos. Um desses organistas, que detém agora a cadeira do instrumento naquele Centro, é o Professor Sibertin-Blanc”[1].

Em 1960, justificando a publicação, na revista Canto Gregoriano, de um longo artigo intitulado ‘O Ano Litúrgico nos corais para órgão de J. S. Bach’, da autoria de Dom Antoine Bonnet – organista da Abadia de São Pedro de Solesmes (França) – Júlia d’Almendra deixa-nos a seguinte ‘Nota da Redacção’:

“O organista é um músico da Igreja chamado a cumprir um papel importante nos Ofícios litúrgicos e a exercer assim um verdadeiro apostolado. Os documentos pontifícios sobre música sacra têm insistido sobre este ponto. Eis porque julgámos do maior interesse a publicação deste artigo. Eis porque o Centro de Estudos Gregorianos inclui no seu ensino a formação de organistas, tendo assim, para corresponder às diferentes necessidades paroquiais e das Congregações religiosas, um curso geral [também designado como curso ou nível ‘básico’ noutras passagens de Canto Gregoriano] e superior de Órgão, aos quais juntou este ano uma classe de Improvisação”[2].

 

[1] Canto Gregoriano n.º 21, p.31.

[2] Ib., n.º 17, p.13.

(Foto: http://centroward.wixsite.com/centrowardlisboa/seg)