Sex. Dez 3rd, 2021
Modos de interação entre ciência e religião

Segundo Ponto: Unir

Miguel Oliveira Panão

Blog & Autor

 

Imagina um conjunto de nove pontos distribuídos numa matriz 3×3 que pretendes unir com 4 linhas sem levantar a caneta do papel.

Alguns sabem a solução deste problema, outros têm uma ideia e há quem não faça a mínima ideia de como se resolve, mas ninguém fica indiferente ao desafio e tenta resolvê-lo. A solução tem muito a ver com o diálogo entre ciência e fé.

A ciência começou por se desenvolver dentro dos limites do que conhecemos sobre a realidade física. Mas a mecânica quântica abalou as certezas com – literalmente – as incertezas, uma vez que uma medida experimental quântica é uma função probabilística. Por fim, com a emergência da Teoria da Informação começamos a perceber que talvez a sintaxe (energia) não seja a unidade mais fundamental para compreender o universo, mas também a semântica (informação) entra na competição epistemológica.

A fé bebe do conhecimento teológico para se aprofundar, mas ao contrário da ciência, a teologia desenvolve-se em torno de uma Realidade-que-tudo-determina, sendo sempre uma realidade mais pequena do que a que pretende apreender, lida com o que não tem limites e vive de paradoxos.

Para unir os nove pontos é preciso pensar fora-da-caixa, isto é, ir para além dos limites, mas o diálogo entre ciência e fé vai mais longe ainda. Não pensa fora-da-caixa, mas desenvolve-se quando pensa como se não houvesse caixa.

Segue uma intuição proveniente de uma experiência feita com a mente aberta e desapegada dos conceitos, de modo a navegar pela realidade visível e invisível, livre, deixando-se inspirar pelo inesperado.

Quando limitamos com uma caixa o que podemos conhecer ao que conhecemos já, dificilmente encontramos um caminho para continuar a caminhar em direcção à Verdade por meio das questões últimas.

Pensar sem caixa pode implicar não ter pensamentos, mas acolher pensamentos. Assim, damos uma oportunidade para acolher o impensado, e unir o que no fundo de nós mesmos está fragmentado.

Conseguiste resolver o desafio?

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay