Seg. Jun 14th, 2021

Pe. João Santos

Assinalamos quatro anos da publicação da Encíclica Laudato Si. As questões ambientais não são uma novidade deste pontificado, uma vez que a Doutrina Social da Igreja, ou mesmo outros documentos do Magistério Católico já se tinham referido a questões do âmbito ecológico. O seu rasgo, para além do facto de ser a primeira Encíclica a ser inteiramente dedicada a este tema, é o alcance teológico, antropológico e moral presentes.

Aqui vemos como o Papa Francisco não receia incluir os dados da pesquisa científica no documento, mas não se limitando apenas à exposição às questões técnicas; aí inclui as dimensões sociais e políticas, que contribuem para oprimir os que são mais fracos, as quais são fonte de injustiça. E bem sabemos como ao Sumo Pontífice é cara a identificação de Cristo com os mais pobres. Este é o caminho que Francisco nos faz percorrer ao longo da Encíclica, fazendo-nos notar a necessidade da fraternidade universal desejada por Francisco de Assis.

Neste documento a pessoa humana é claramente assumida como imagem da Trindade Divina (n. 239), vocacionada por isso a viver orientada e em comunhão para Deus. Todavia esta dinâmica só acontece se se respeitar as relações fundamentais intimamente ligadas: com Deus, com o próximo e com a terra. Qualquer rutura destas relações prejudica a pessoa humana e nasce do pecado (n. 66).

O caminho de vida colocado como resposta a todos os homens e mulheres do mundo é o da ecologia integral, o qual não se reduz a uma dimensão apenas material, mas inclui uma dimensão espiritual, como constitutiva e importante no caminho global da construção da harmonia e da paz. A degradação do meio ambiente constitui uma agressão e aumenta o risco dos conflitos; a conversão ecológica é, como contra-peso, o movimento interior, em que o coração humano reconhece a sua limitação, identifica o seu sentido, procura apenas o que realmente precisa e aceita a sobriedade como norma de vida necessária e suficiente.

A Encíclica é muito extensa e rica, tirando frequentemente ilações que nos remetem para uma forma de vida iluminada pela redenção de Cristo. A sua revisitação é por isso uma ocasião de nos colocar em processo de transformação de mentalidade e de prioridades de vida rumo a uma vida mais evangélica.