Dom. Nov 28th, 2021

In Memoriam

Pe. João Gonçalves

[n. 28/03/1944 | ordenação presbiteral 21/12/1969 | m. 08/12/2020]


Testemunho | Manuel Oliveira de Sousa

Por vezes a esperança parece que se esvai

 

A vida do Pe João Gonçalves foi uma eucaristia constante, uma parábola de comunidade.

O sentido franciscano em que alimentava a sua vida, faz-nos compreender melhor o momento da sua partida para o Pai.

Viveu em eucaristia.

Viveu permanentemente a última ceia. Tomou o pão, todo o que tinha, abençoou-o; partiu-o; e deu um bocadinho para cada um, para que os que mais precisavam, de todas as periferias da vida, poderem comer, restabelecer-se e continuarem o seu caminho com dignidade.

Através destes gestos vemos a Última Ceia em que Jesus fez com seus discípulos antes de morrer. Recordamos, em cada momento, o imenso ato de amor e de doação total e perene de Jesus à humanidade, perpetuado na Eucaristia pois o Corpo do Senhor não é senão o Pobre e Humilde de cada dia.

A sua vida foi a “sua” Última Ceia. O Pe João celebrou para nós e connosco a sua vocação, a doação total ao Senhor, servindo aos irmãos, em obediência total a Cristo, seu Mestre e Senhor: no lava-pés vemos os gestos simples e humildes; e em cada abraço do Pe João como que sentimos o abraço de Jesus aos discípulos.

E comunidade!

Cada um de nós, amigo do Pe João, tem a memória agradecida em que acolheu e foi acolhido. Eu também!

Na oração, na bondade, no acolhimento, na rua,… em todos os momentos, a comunidade! Nada pode ser mais humano: ter uma casa, pão na mesa, e uma oração de completas para louvar o dia e fazer exame de consciência, em correção fraterna, para que a noite fosse retemperadora e o dia seguinte uma manhã de alegria, como um campo de girassóis – a flor de eleição!

Eucaristia e comunidade, como no “cenáculo” – o eterno projeto no último andar daquela casa-memória (Residência Paroquial), cada vez mais memória eterna no coração dos “irmãos mais velhos” (Pe João, Pe José Manuel,…), que um dia, “estando só”, acolheram-me (e acolheram tantos que entraram comigo!), e deram-me lugar à mesa.

Obrigado, Pe João.


Imagem: Blogue Pela Positiva