FORMAR PARA CUIDAR | 1

Pe. Georgino Rocha

A consciência social tem vindo a despertar para a importância de saber cuidar de quem está limitado pela fragilidade, pela doença, pelo luto ou outros factores que “mexem” com as nossas habituais seguranças humanas. E a pressão vivida por muitos cuidadores desgasta energias e gera situações aflitivas. Sente-se cada vez mais a necessidade de atender esta realidade, de formar para cuidar com equilíbrio emocional e eficácia de serviço.

Várias vezes, fui solicitado a intervir nesta área junto de voluntários e de outros visitadores dos doentes que, felizmente, muitas paróquias já organizam e animam com o apoio dos serviços da Diocese. Para além das variantes, sempre necessárias pela variação dos participantes nas assembleia de formação, normalizei um esquema com os seguintes tópicos apresentados em “powerpoint”.

Competências

1. Humanizar-se a si mesmo, pois ninguém dá o que não tem: fazer desabrochar capacidades pessoais, assimilar valores universais, conhecer boas práticas de relação pessoal, cultivar sentimentos positivos, tendo como horizonte o agir de Jesus Cristo.

2. Ser honesto, ter uma maturidade sadia e equilibrada, cultivar o bom senso, ser diligente, amar a verdade, reconhecer que não há doenças, mas pessoas doentes que vivem a sua situação de modo muito diferente. Saber acompanhar sem intromissões indevidas nem distâncias inibidoras.

3. Aprender as “lições” que toda a doença comporta e valorizá-las: ser limitado – com recursos escassos; viver em relação – com necessidade dos outros; sentir que o tempo de vida se esgota – com desejo de o agarrar e desfrutar; dar conta de que há coisas que não se podem controlar – com ânsia imensa de tudo prever e auto-dominar; abrir-se ao Infinito de Deus pressentido pelo coração humano.

4. Ter a noção do tempo psicológico, usar modos adequados, reconhecer a “rede” que envolve a pessoa enferma e respeitar as funções de cada interveniente, cultivar uma relação especial com a família. Procurar ser cada vez mais um “suporte” amigo para a família atingida.

5. Respeitar os direitos e deveres dos doentes, designadamente o direito à verdade razoável, ao livre consentimento informado e à opção religiosa.

Estar apto, dentro do possível, para fazer o seu acompanhamento no itinerário religioso e saber encaminhar oportunamente as questões de consciência para quem as possa ajudar a equacionar.

6. Acompanhar com discrição atenta o impacto da acção do pessoal de saúde no doente e seus estados de ânimo. Àquele compete um papel muito activo na recuperação possível da saúde, não apenas física, mas emocional e relacional, integral. Porém, o enfermo vive a situação e o seu desenrolar.