Mensagem de Natal 2025
Deus desce e vem até nós. Ele é amor misericordioso e o seu projeto de amor, que se estende e realiza na história é, primeiramente, o seu descer e vir estar entre nós, para nos libertar da escravidão, dos medos, do pecado e do poder da morte. Em cada Natal, celebramos a presença de Deus entre nós. Sempre que construímos o Presépio, fazemos memória do nascimento de Jesus em Belém. É tempo de tomarmos mais consciência do amor que Deus tem por nós, enviando-nos o seu Filho.
O Advento e o Natal são tempo de irmos ao encontro de Jesus. Em cada Natal, somos convidados a fazer do nosso coração a casa de Jesus, a abrir os nossos corações para o amor e a luz que Jesus nos traz.
O nascimento do Menino Jesus é fonte de esperança e promessa de futuro. Sempre que festejamos este nascimento, somos convidados à esperança e, por esta razão, somos desafiados a realizar gestos audazes de fé, esperança e caridade. A fonte da nossa esperança é Cristo ressuscitado que nos promete a vida eterna. O Natal e a Páscoa são sempre uma bela ocasião para alimentarmos a nossa vida cristã, uma vez que fomos salvos pela esperança. O Jubileu que estamos a terminar tem de se prolongar na vida dos cristãos, da Igreja e dos homens e mulheres de boa vontade. A construção de uma sociedade mais justa é trabalho de todos.
Jesus nasceu pobre e levou uma vida simples. Com um olhar misericordioso e o coração cheio de amor, Ele dirigiu-se às suas criaturas, preocupando-se com a sua condição humana e, portanto, com a sua pobreza. «Ele mesmo se fez pobre, nasceu segundo a carne como nós e reconhecemo-lo na pequenez de uma criança recostada numa manjedoura e na extrema humilhação da cruz, onde partilhou a nossa radical pobreza, que é a morte» (Dilexi te, nº 16).
Na verdade, os sinais que acompanham a vida e a pregação de Jesus são manifestações de amor e de compaixão com as quais Deus olha para os doentes, os pobres e os pecadores que, em virtude da sua condição, eram marginalizados na sociedade, inclusivamente pela religião. Aqueles que são frágeis e os que nasceram com menos possibilidades não podem valer menos como seres humanos e nem devem limitar-se, apenas, a sobreviver.
Do que fizermos pela sociedade, depende também o nosso futuro; ou reconquistamos a nossa dignidade moral e espiritual ou caímos no abismo da morte. O Natal ganha sentido quando vemos Cristo no rosto dos necessitados e dos sofredores.
O amor pelos pobres é um elemento essencial da história de Deus connosco, e irrompe do próprio coração da Igreja como um apelo contínuo ao coração dos cristãos, tanto das suas comunidades, como de cada um individualmente. Neste Natal, centremos a nossa atenção nos migrantes. O Papa Francisco recordava que a missão da Igreja junto aos migrantes e refugiados era ampla, insistindo que «a resposta ao desafio colocado pelas migrações contemporâneas pode-se resumir em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. Em cada migrante rejeitado, é o próprio Cristo que bate à nossa porta, às portas da comunidade. Não esqueçamos que o Evangelho só é crível quando se traduz em gestos de proximidade e de acolhimento.
Convido cada um a refletir sobre o seu Natal. Perguntemo-nos: Como acolhemos a ternura e o amor de Deus? Procuremos viver um verdadeiro Natal cristão, preparar o nosso coração, na humildade, na generosidade, no silêncio interior, na reconciliação com Deus e com todos os irmãos. Proponho dois gestos muito simples para este Natal:
1. Construirmos o Presépio em família e fazermos o esforço por viver com simplicidade e sem desperdícios estas festas, sem nos deixarmos apanhar pela sede consumista que esta quadra nos oferece;
2. Convidar para a nossa mesa de Natal alguém que esteja só ou viva com dificuldade. Assim, celebraremos Jesus que nasce no coração da humanidade mais sofredora.
Um feliz e santo Natal, com votos de muitas bênçãos para o ano 2026.
† António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro