Nota sobre o veto presidencial à ‘lei da eutanásia’

Humanizar a doença e o morrer é o caminho…

Jamais adoecer ou, mesmo, matar a humanidade!

 

A Comissão Diocesana da Cultura | Aveiro solidariza-se com todas as vozes que reconhecem que o veto presidencial à ‘lei da eutanásia’ é sinal de que o caminho não deverá ser o de disponibilizar a morte e o matar para as circunstâncias de maior fragilidade e debilidade. Se a morte e o matar forem uma solução, eles serão ‘a’ solução!

O caminho deverá ser outro.

Caminho que não dê espaço a um entendimento de que possa ser liberdade a possibilidade de se matar ou dar a matar. A eutanásia não é um ato de humanidade; é a expressão final de desumanismo e desistência. É por isso que reconhecemos na decisão do senhor Presidente uma visão humanista e promotora de uma cultura que une os portugueses e não que os divide. Humanidade é estarmos juntos no combate contra todas as fragilidades.

Repudiamos, ainda, a acusação de desumanidade feita ao senhor Presidente por deputados que não querem interpretar o sinal que este veto a todos deixa.

Desumanidade é dar a morte; desumanidade é abandonar à morte; desumanidade é abandonar em hospitais quem precisa de um lar, de uma família; desumanidade é confundir o cuidar até à morte com a deliberada ação de antecipar a morte; desumanidade é não universalizar cuidados paliativos; desumanizar é olhar para a terceira idade como um mero desfecho e não como um tempo de receber e colher o muito que se semeou; desumanizar é discriminar quem sofre, eliminando o sofredor em vez de tratar do seu sofrimento; desumanizar é deixar cada um, sozinho, com a sua solitária decisão de viver ou pedir que o matem; desumanizar é defender que bom lema seja ‘cada um por si’….

A eutanásia não é compaixão. A eutanásia tem sido intencionalmente confundida com o legítimo acolhimento do fim natural para que possa abrir-se brecha num entendimento de sempre: que a morte não pode estar disponível à decisão de ninguém. Quando tal acontece(r), ela terá sempre a última palavra nas decisões humanas. E a isso não pode dar cobertura o direito de um Estado de Direito! E não nos pode sossegar que outros tenham legalizado esta prática. A história do eugenismo que grassou no mundo, até à Segunda Guerra Mundial mostra-nos o efeito de ‘vertigens de morte’. Esta é uma nova vertigem de morte que não pode seduzir-nos.

A Comissão Diocesana da Cultura|Aveiro conta com a sensatez dos deputados. A decisão do senhor Presidente faz de nós mais portugueses. O seu é o veto contra uma visão que nos pretende dividir. Essa visão não pode vencer porque, então, ter-nos-á vencido para sempre!

A Comissão Diocesana da Cultura | Aveiro


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