CAMINHADA PELA VIDA – AVEIRO
“Não podemos desistir de ser a voz dos que não têm quem os defenda”
Mais de 500 pessoas participaram na Caminhada pela Vida, que decorreu no sábado pela primeira vez em Aveiro, a par de similares iniciativas em Lisboa e no Porto. Os caminhantes partiram do Cais da Fonte Nova, pelas 16h30, percorreram algumas das principais ruas da cidade de Aveiro e concluíram a caminhada no local da concentração inicial, onde ainda puderam conviver à volta de um pequeno lanche, depois de percorridos cerca de seis quilómetros em duas horas.

A caminhada foi organizada pela ADAV-Aveiro (Associação de Apoio e Defesa da Vida) e congregou pessoas de Aveiro, dos concelhos limítrofes, mas também de Coimbra, como Carlota Miranda Urbano, que explicou as razões da sua presença: “Caminho porque não podemos desistir de ser a voz dos que não têm quem os defenda. Estão dentro do ventre das mães e não têm voz. Não podemos desistir do valor da vida que nasce. O poder já fez as leis, mas nós não podemos desistir”.
Teresa Ribeiro, professora de EMRC (Educação Moral e Religiosa Católica), de Aveiro, adiantou outras razões: “Vivemos num tempo em que se relativiza a vida. Por isso, não é defendida em todas as suas fases – como deve ser. O testemunho dos que são pela vida tem que se manifestar”.
No início da caminhada, Luís Manuel Silva, presidente da ADAV – Aveiro, dirigindo-se aos caminhantes, realçou que a iniciativa significa o “reconhecimento de que, na vida, não há circunstâncias que apaguem a dignidade humana”. “Todos somos, sempre, dignos. Ninguém nos pode retirar a dignidade. Ela faz de nós intocáveis. Todos somos dignos, sempre somos dignos”, afirmou. O presidente da ADAV referiu a saudação papal aos caminhantes de Aveiro, Lisboa e Porto e leu a saudação do Bispo de Aveiro, que tinha convidado para a caminhada, nas não pôde estar presente: “Caminhais, hoje, para que todos saibam que as gentes de Aveiro cuidam dos seus e nunca os abandonam. Sim, porque Aveiro é uma terra de gentes que têm a fecundidade das águas profundas e a pureza do ar das montanhas mais interiores. Caminhais, hoje, por vós, pelos vossos, pelos próximos e mais distantes, pelos de hoje e pelos vindouros”.
Luís Manuel Silva deixou claro, no entanto, que a ADAV “é uma instituição apartidária e aconfessional”, embora encontre “sintonia de valores em outras instituições”.
A caminhada de Aveiro foi apadrinhada por Paulo Henriques. O Paulinho, como é conhecido, é recordista mundial em várias provas de atletismo para pessoas com síndrome de Down. “A sua vida – disse o presidente da ADAV no início da caminhada – é uma demonstração de que todos somos merecedores do maior cuidado porque somos todos dignos”. Para participarem na caminhada, as pessoas ofereceram 5 euros ou bens para bebés com valor idêntico que a ADAV-Aveiro, criada na sequência do primeiro referendo ao aborto, vai destinar a grávidas e bebés que precisam de apoio. Nos últimos oito anos, a associação ajudou 242 grávidas e 1323 crianças, não só com géneros alimentícios, fraldas e roupa, mas também com apoio jurídico e médico.
(Notícia recolhida do jornal diocesano Correio do Vouga)