Dom. Nov 28th, 2021

Aveirenses notáveis

António Peixinho, glória do automobilismo português

Cardoso Ferreira (textos)

Parceria com o Correio do Vouga

Nas décadas de 1960 e de 1970, António Peixinho, nascido em Aveiro, foi uma das glórias do automobilismo português, vencendo inúmeras competições em Portugal Continental e em Angola.

Filho do Dr. António Peixinho e neto do médico e autarca aveirense Lourenço Peixinho, António Fernando Peixinho nasceu em Aveiro, no 11 de abril de 1935, e reside em Carcavelos, na Área Metropolitana de Lisboa.

Depois dos estudos iniciais, António Fernando Peixinho estudou em Lausanne (Suíça) e em Coimbra, onde se licenciou.

Ainda em jovem interessou-se pelos veículos motorizados, dos automóveis e motos aos aviões, o que o levou a participar em diversos géneros de desportos motorizados e a tirar o brevet de piloto aviador.

Quando terminou o serviço militar, como oficial em Angola, António Peixinho fixou residência nessa antiga província ultramarina portuguesa, onde se manteve até 1974, altura em que regressou à Metrópole.

Na passada semana, esteve prevista a participação de António Peixinho, como orador convidado, numa palestra evocativa do seu avô Lourenço Simões Peixinho, que deveria ter ocorrido no Edifício da Antiga Capitania, mas um problema de saúde impediu-o de estar presente, facto que motivou o cancelamento desse evento integrado na exposição “Avenida: Uma História Com Futuro”, que aí esteve patente ao público.

Um glorioso palmarés no automobilismo

Foi no início da década de 1960 que António Peixinho arrancou com a sua bem-sucedida carreira desportiva no automobilismo, que ultrapassou as fronteiras ao participar e vencer provas internacionais.

Em junho de 1961, António Peixinho, com o seu Alfa Romeo Giulietta, e integrado na equipa do Sporting Club de Portugal (que nessa época tinha uma secção de automobilismo), venceu a geral do Rali Ilha da Madeira, terceira edição da mítica prova organizada pelo Sports Club da Madeira.

As crónicas dizem que o seu primeiro feito conhecido internacionalmente, foi o Grande Prémio de Angola, ocorrido no ano de 1964, que concluiu em 5º lugar, no Ferrari 250 GTO nº3, da “Écurie Francorchamps”, que deveria ter sido conduzido por Annie Soisebaut, mas como essa condutora adoeceu, o Marquês de Montaigu emprestou o carro a António Peixinho.

A par das provas disputadas em Angola, António Peixinho competiu também no Continente, como aconteceu no ano de 1965, quando, ao volante de um Lotus Elan, venceu a Rampa do Montejunto. Dois anos volvidos, no mês de junho de 1967, venceu a categoria “Turismo” (Grupo 1 e 2) do I Circuito da Granja do Marquês. No ano seguinte, no Ralliy TAP 1968, António Peixinho, fazendo equipa com “Jocames”, levou o seu Morris Cooper S ao terceiro lugar da classificação geral.

Mais tarde, em 1969, nas “Seis horas de Vila Real”, o piloto aveirense liderou, com o seu Alfa Romeu 1750, a categoria “Turismo de Série”, instituída nesse ano pela Comissão Desportiva Nacional. Ainda no ano de 1969, António Peixinho, fazendo equipa com Henrique Burnay Bastos, num Mini Cooper S, participou no Rally Monte Carlo, desistindo antes da chegada ao Mónaco.

Também fora das fronteiras, mas desta vez em terras africanas, no ano de 1970, António Peixinho concretizou a expedição Luanda – Lourenço Marques, na qual teve por companhia o fotógrafo Eduardo Baião e o jornalista Jaime St Maurice.

Em Angola, António Peixinho tinha como grande rival Nicha Cabral, o primeiro piloto português a correr na Fórmula1 e que faleceu recentemente. Em 1971, nas Seis Horas de Nova Lisboa (atual Huambo), a vitória coube a Nicha Cabral, que impôs o seu BMW 2800CS ao Alfa Romeu T33, de António Peixinho. Mais tarde, os dois pilotos partilharam o volante do Lola T2292 BMW Schnitzer que a Autodel – Clube do Autódromo, entregou aos dois pilotos até então rivais. Em 1973, os dois rivais voltaram a fazer equipa para disputar as Seis horas de Nova Lisboa.

António Peixinho competiu em provas como a Volta à Madeira (em Alfa Romeo Giulietta 1300), Circuito da Fortaleza e Montes Claros (em Volvo PV544), Rali das Rias Bajas (em Austin Cooper S), Grande Prémio de Angola (em Ferrari 250 GTO), Cascais, Circuito de Vila do Conde, Granja do Marquês e 1000 Km de Monza (todas em Ferrari 250 LM), Vila Real (em Alfa Romeo 1750), 6 Horas de Nova Lisboa (em Alfa T33), Novo Redondo (em Lola T212), 500 Km de Benguela (em Lola T292) e Circuito do Autódromo de Luanda (em Alfa GTAM).

Em algumas dessas provas, fez equipa com pilotos de renome, entre os quais Basil van Rooyen, Nicha Cabral e Mabílio de Albuquerque.

Nos últimos anos, António Peixinho tem participado em ralis históricos, entre os quais o Rallye ACP Clássicos 2017.

Acidente grave em carro…blindado militar

Apesar de ter protagonizado alguns acidentes em provas, António Peixinho só ficou gravemente ferido num acidente com um carro de combate M4-A1 Sherman, que então equipava o Exército Português.

Por causa desse acidente, ocorrido enquanto cumpria o serviço militar, António Peixinho foi sujeitou a 16 intervenções cirúrgicas, de que resultou uma mobilidade nunca completamente restabelecida.

Piloto doou equipamento ao Museu do Caramulo

Em 2014, António Peixinho ofereceu o seu equipamento de competição ao Museu do Caramulo, instituição que anualmente promove o Caramulo Motorfestival.

Entre as peças cedidas está o seu capacete, fato, luvas e botas de competição, as quais estão ao lado de ofertas de outros grandes pilotos, entre os quais Nicha Cabral.

No ano seguinte, no dia 6 de setembro de 2015, António Peixinho recebeu das mãos de Salvador Patrício Gouveia e de Vasco Pinto Basto o Troféu João Lacerda, durante as comemorações do décimo aniversário da instituição desta homenagem ao Fundador do Museu do Caramulo.

Homenageado no Autódromo do Estoril

Para além do Troféu João Lacerda, António Peixinho foi alvo de várias homenagens, com destaque para a ocorrida no dia 26 de novembro de 2016, quando o Historic Endurance Racing e a Alfa Romeo lhe prestaram homenagem com uma cerimónia no Autódromo do Estoril e um jantar no Hotel Miragem.

Em paralelo, de 25 a 27 de novembro de 2016, decorreu a prova “250 km do Estoril – Troféu António Peixinho”, realizada no Autódromo do Estoril, com o apoio da Alfa Romeo.