Dom. Dez 5th, 2021

ALIANÇA IRREVOGÁVEL, NOVA E ETERNA

Pe. Georgino Rocha

A nova aliança, realizada por Jesus, confirmada pelo Pai e selada pelo Espírito, celebra-se na Igreja de modo especial na eucaristia. “Tomai e comei: isto é o meu corpo entregue por vós. Tomai e bebei: Esta é a taça do meu sangue derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de Mim”.  Corpo entregue e sangue derramado por um mundo novo, cujas sementes são os valores do reino a cultivar pelos discípulos na peregrinação terrena e se encontram escondidas em culturas e religiões.

A força da eucaristia dá ânimo à missão. No rito latino ou católico ortodoxo, alexandrino… somos uma Igreja em saída. Rumo às periferias existenciais. Igreja, hospital de campanha, que acolhe e trata dos feridos da vida. Igreja samaritana de uma humanidade que deixou secar a seiva vitalizante da caridade solidária. Igreja, oásis de misericórdia, junto de tantos corações endurecidos pela rigidez dos sistemas económicos e políticos, indiferentes pela insensibilidade à sorte dos seus irmãos em humanidade, encerrados no seu eu, cultivado como auto-referência e idolatrado como o único bem.

Que fazemos da eucaristia, a celebração sacramental da irrevogável aliança de Deus connosco? Que fazemos da comunhão do corpo e do sangue do Senhor que se une connosco para ir pelos caminhos da vida e da história servir os irmãos em necessidade? A aliança irrevogável é fruto do amor de Deus que nos envolve a todos no seu projecto de salvação. A fonte é a mesma. Os convidados são diferentes e as respostas, também. Fazê-las convergir na unidade é desejo/oração de Jesus e missão nossa em Igreja.

Na Eucaristia, já está realizada a plenitude, sendo o centro vital do universo, centro transbordante de amor e de vida sem fim. Unido ao Filho encarnado, presente na Eucaristia, todo o cosmos dá graças a Deus. Com efeito a Eucaristia é, por si mesma, um acto de amor cósmico. «Sim, cósmico! Porque mesmo quando tem lugar no pequeno altar duma igreja da aldeia, a Eucaristia é sempre celebrada, de certo modo, sobre o altar do mundo», afirma o Papa Francisco na «A Alegria do Evangelho», nº 166.

Esta dimensão cósmica faz parte do ensinamento da Igreja. Bento XVI, para lembrar o Papa emérito no seu rico magistério, adianta: “A Eucaristia une o céu e a terra, abraça e penetra toda a criação. O mundo, saído das mãos de Deus, volta a Ele em feliz e plena adoração: no Pão Eucarístico. A Caridade na Verdade, nº 32.

Da Eucaristia bem compreendida, celebrada e vivida, brota uma “fonte de luz e motivação para as nossas preocupações pelo meio ambiente, e leva-nos a ser guardiães da criação inteira” . Louvado Sejais, nº 236.

A aliança nova e eterna acende em nós uma luz que quer brilhar no cosmos e em todos os seus elementos, uma harmonia de todas as diversidades da criação e das criaturas e que um autor desconhecido apresenta em belo poema, de que se transcrevem alguns versos.

A cantar com o universo, bendigamos ao Senhor. Aleluia! Proclamamos: paz, justiça e amor.
Pelo sol, pela luz, pela cor,
pela neve, p’lo frio e calor.
Pelas aves, p’la vida, p’las águas do mar,
mil graças te damos, Senhor.