Ter. Dez 7th, 2021
Georgino Rocha (Texto)

A aliança, antes de designar as relações dos homens com Deus, pertence à experiência social e jurídica dos povos. Estes ligam-se por pactos e contratos, que implicam os direitos e os deveres, a maior parte das vezes, recíprocos.

Existem acordos entre grupos ou indivíduos em condições iguais que se propõem dar ajuda mútua. São alianças de paz, alianças de fraternidade/sangue, pactos de amizade, o casamento. Há tratados entre desiguais, em que quem mais pode promete protecção a quem menos pode, ficando este de lhe prestar serviços.

O antigo oriente praticava estes pactos de vassalagem e a história bíblica regista vários exemplos. Nestes casos, o inferior pode solicitar aliança, mas o superior acede conforme lhe apraz  e dita as condições. A conclusão do pacto faz-se seguindo um ritual consagrado pelo uso/costume/tradição. As partes comprometem-se abrindo animais em duas metades e passando entre elas, dizendo imprecações para com os eventuais transgressores; depois, estabelece-se um memorial, plantando uma árvore ou erigindo uma pedra que servirão de testemunho do pacto. (Gn 21, 33). É sobre esta experiência fundamental que Israel vai representar as suas relações com Deus.

Em próximo apontamento,  a minha reflexão, ainda que breve, incidirá nos passos registados pela Bíblia até chegar à nova e eterna Aliança selada por Jesus Cristo com a sua morte e ressurreição, celebrada na eucaristia. (aclamação à consagração na anáfora).