Qui. Out 28th, 2021
Bioética e sociedade
(Parceria com o Centro de Estudos de Bioética)

Carlos Costa Gomes*

Uma tecnologia que permite realizar más ações não deverá ser responsabilizada pelos atos que através dela são realizados?

Ao afirmar que a internet é um espaço de liberdade e de responsabilidade, logo podemos concluir que é um facto profundamente humano ligado à autonomia e à liberdade do homem. É um espaço de comunicação aberto pela interligação mundial da tecnologia informática, que se designa, como “ciberespaço” no qual a liberdade de opinião e de expressão; a dinamização de temáticas e conteúdos são de facto, liberalizadas.

A pessoa com acesso a este espaço pode estar na génese de acontecimentos à escala mundial. Veja-se, por exemplo, os movimentos sociais e a disseminação de informação relevante sobre dados de pessoas e países.

O ciberespaço pressupõe a cibernética. Porque, na verdade, o poder conferido a cada homem, por esta ferramenta, levanta algumas questões éticas de como usar esse poder e essa liberdade. O uso do e-mail, das redes sociais – o blog, o facebook, as plataformas, como são o computador e o telemóvel, contribui para que cada utilizador seja, na realidade, um agente de comunicação capaz de influenciar a larga escala. Isto é, homem passou a ter um poder e uma liberdade não circunscritas ao grupo social local mas sim sem circunscrição alguma. Isto é, global.

A utilização da informação disponibilizada na internet; os sites que todos os dias são criados e a oferta de novos conteúdos, mais do que nunca apelam à responsabilidade ética colocando novos desafios a toda a comunidade educativa, sociativa, política entre outras.

Ensinar, pesquisar, selecionar a informação e utilizar os conteúdos no “faroeste da internet” pressupõe fazê-lo com liberdade e responsabilidade, já que Rede é a ferramenta privilegiada para a promoção e desenvolvimento do conhecimento da (in)formação, na medida em que a internet não tem fronteiras.

Na verdade, navegamos por este “faroeste” que é a internet – a expressão é de Francisco Fonseca da Anubis Networks, que compara a Rede ao Velho Oeste “quando as pessoas saíam à rua podiam apanhar uma bala perdida”. Por isso, cabe a nós, como utilizadores, perceber até que ponto a tecnologia é, em si mesma, eticamente neutra ou se a própria tecnologia, que permite realizar más ações, não deverá ser também responsabilizada pelos atos que através dela são realizados.

*Professor do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa

Presidente do Centro de Estudos de Bioética