Dom. Jun 13th, 2021

70 ANOS DUDH | REFLEXÕES

Uma cidadania ativa e consciente pelos Direitos Humanos

Cláudia Ventura*

 

Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU são as linhas orientadoras de uma cooperação global para assegurar a paz e  prosperidade da Humanidade e do planeta, agora e em gerações futuras (ONU, 2015). Para atingir este objetivo, os três pilares da sustentabilidade – sociedade, economia e ambiente – devem ser igualmente considerados, respeitando e assegurando sempre os Direitos Humanos. No entanto, estes direitos estão especialmente ameaçados para refugiados de conflitos armados ou catástrofes naturais, vítimas de perseguição e tráfico humano, pessoas desprezadas pelo seu género ou condição e as crianças vulneráveis aos flagelos da fome, guerra e de diferentes formas de exploração. Com o crescimento exponencial da população global é necessário garantir que há criação de valor económico sem custo da dignidade humana e sustentabilidade ambiental. Neste sentido, as entidades governamentais são cruciais para a criação de diretivas que assegurem que cooperações e entidades privadas seguem os 17 ODS. Apenas com a participação e compromisso globais é possível alcançar os objetivos estabelecidos. É responsabilidade de cada um de nós não só atuar de acordo com as diretivas para a sustentabilidade, adaptadas ao contexto de cada um, através de uma cidadania ativa e consciente, mas também exigir que as mesmas sejam consideradas pelas entidades políticas de diferentes níveis hierárquicos e num consumo consciente que pressione as empresas e entidades privadas.

A ORBIS – Cooperação e Desenvolvimento é uma ONGd do distrito de Aveiro que tem por missão combater a pobreza extrema e apoiar o desenvolvimento sustentável dos povos. Os seus projetos implementados em países de expressão portuguesa têm como principais beneficiários os grupos mais desfavorecidos das comunidades parceiras. Dependendo da realidade de cada país, pretende apoiar as crianças de famílias extremamente pobres ou destruturadas, os jovens para os quais a educação é um privilégio fora de alcance, as mulheres e mães jovens sem meios de subsistência e às vítimas de exclusão por doença ou pela diferença. A sua ação permite capacitar os membros destas comunidades para que sejam eles os protagonistas do desenvolvimento.

Contudo, é tão importante o trabalho desenvolvido em prol dos locais de atuação, como a sensibilização e esclarecimento das pessoas que nos rodeiam diariamente.

Acreditamos que as nossas próprias dificuldades e os desafios que temos de enfrentar não nos devem cegar para as dificuldades e desafios mais exigentes do outro.

Para além de apoiar diretamente as comunidades nos países de atuação, os projetos dinamizados pela ORBIS procuram também ter um impacto em Portugal.

Consciencializar e educar para o desenvolvimento são igualmente prioridade dos três projetos desenvolvidos pela organização:

  • Comércio Solidário: incentiva um consumo mais consciente pela aquisição de

produtos a um preço justo e que beneficiam os artesãos que pertencem a minorias ou grupos sociais desfavorecidos, dinamizando assim pequenas economias locais;

  • One Child, One Future: projeto de apadrinhamento à distância que possibilita que crianças em situação familiar ou económica destruturada tenham acesso a alimentação, educação e cuidados de saúde, pela solidariedade e partilha dos padrinhos envolvidos no projeto;
  • O Meu Sonho é Estudar: apadrinhamento de estudantes guineenses por turmas

do ensino básico e secundário do distrito de Aveiro, que são desafiadas a organizar ações de angariação de fundos e de educação para o desenvolvimento nas comunidades escolares e sociedade civil.

É responsabilidade de todos e de cada um assumir o seu papel de cidadão ativo e consciente no respeito pelos direitos humanos nas diferentes dimensões da vida pessoal e comunitária, laboral, escolar, familiar, política e associativa. Um mundo mais justo e humanitário é um benefício comum.

*Presidente da Direção Executiva da ORBIS – Cooperação e Desenvolvimento

(Artigo que se insere no âmbito das comemorações do 70º Aniversário da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Plataforma “Aveiro Direitos Humanos” / Diário de Aveiro)