Sáb. Out 23rd, 2021

70 ANOS DUDH | REFLEXÕES

Os Bancos Alimentares contra a Fome e o Artigo 25º

Odete Marques*

Nesta data em que se comemoram os 70 anos da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Banco Alimentar contra a Fome /Aveiro associa-se a também esta efeméride através da participação e integração na Plataforma “Aveiro Direitos Humanos”.

Os Bancos Alimentares contra a Fome têm como missão a luta contra o desperdício alimentar, recuperando excedentes, para os levar a quem tem carências alimentares, mobilizando pessoas e empresas, que a título voluntário, se associam a esta causa.

A Gratuitidade, a Dádiva e a Partilha definem o espírito que norteia todas as relações que se estabelecem entre os diferentes intervenientes e parceiros dos Bancos Alimentares.

Estes valores reflectem-se no funcionamento do dia-a-dia e guiam a acção dos Bancos Alimentares em prol dos mais carenciados. A dimensão humana, naquilo que possui de mais nobre, é assim sempre posta em destaque. O que preside não é o interesse comercial, mas o serviço do Homem mais necessitado e que sofre de diversas privações e fome.

Existem em Portugal 21 Bancos Alimentares, tendo sido o primeiro criado em Lisboa em 1991 e o de Aveiro em 1997, que seguem a mesma missão, os mesmos valores e a mesma visão.

A gestão do BACF articula-se em 3 eixos:

ABASTECIMENTO – Recolha e angariação dos excedentes alimentares provenientes das empresas do sector da indústria alimentar, do sector agrícola ou da distribuição, que de outra forma seriam destinados à destruição.

ARMAZENAMENTO – Catalogação, separação, controlo quantitativo e qualitativo dos produtos recepcionados, de acordo com os requisitos das normas de segurança e higiene alimentar.

DISTRIBUIÇÃO – O BACF/Aveiro é uma Instituição ao serviço de outras Instituições. Todos os produtos recebidos são distribuídos a IPSS´s, previamente credenciadas, que os entregam às famílias apoiadas ou os transformam em refeições servidas aos seus beneficiários.

Um mundo, no qual todos os Homens, tenham garantido o direito à alimentação, porque “toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica…”( art.º 25º).

Os Bancos Alimentares contra a Fome continuam a ser uma resposta necessária mas provisória a este direito.

P.S. Para reforçar as angariações de alimentos, em Maio e Dezembro, os Bancos Alimentares promovem recolhas em superfícies comerciais, apelando à solidariedade e ao envolvimento de todos os portugueses numa grande acção de voluntariado.

A próxima campanha vai decorrer em 1 e 2 de Dezembro e o BACF/Aveiro precisa de voluntários em todos os concelhos do distrito, que assegurem todas as actividades.

O voluntariado é essencial ao sucesso da campanha, pelo que apelamos a todos os que possam despender de algumas horas durante o fim-de-semana, que se inscrevam junto do BACF/AVEIRO. Há imensas tarefas a realizar e todos juntos tornarão essas tarefas mais fáceis e agradáveis. Contacte o BACF/Aveiro e INSCREVA-SE COMO VOLUNTÁRIO. Precisamos de si.

BEM-HAJA POR ALIMENTAR ESTA IDEIA!

*Presidente da Direção do Banco Alimentar contra a Fome de Aveiro

(Artigo que se insere no âmbito das comemorações do 70º Aniversário da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Plataforma “Aveiro Direitos Humanos” / Diário de Aveiro)