Sáb. Out 23rd, 2021

70 ANOS DUDH | REFLEXÕES

EDUCAÇÃO, o direito e o dever fundamental

Alexandre Cruz*

 

Quem não se lembra da jovem paquistanesa Malala Yousafzai (Prémio Nobel da Paz 2014), no seu discurso na ONU

em Julho de 2013, ao dizer que: «Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo!», consagrando pelo exemplo generoso da sua vida que a educação é o antídoto decisivo e mais poderoso para todas as formas de separação, violência, fanatismo e intolerância, ela um exemplo para milhões de jovens em terras de extremismos.

Já o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10-12-1948) consagra que os seres humanos «dotados de razão e consciência, e devem agir em relação uns aos outros em espírito de fraternidade», enaltecendo que a “razão” e a “consciência” serão os lugares existenciais pessoais decisivos a cuidar na raiz, para que as visões e ações práticas sejam conformes a dignidade do ser humano.

Importa perguntar: como tem sido alimentada razão humana a partir das novas gerações e dos valores fundamentais, na relação com as diferenças e diversidades? Que investimento é feito nos sistemas educativos, para além da tecnologia e/ou usando-a, de modo a “regar” a planta da vida, do sentido, e do pilar fundacional de “aprender a viver com os outros”? O que tem faltado às democracias (ocidentais e não ocidentais) para verificarmos o regresso dos nacionalismos e extremismos?

As realidades contraditórias do mundo em que vivemos faz-nos lançar estas e tantas outras questões que consigam despertar a humanidade para aquilo que nos pode salvar, a Educação. Talvez, e muito para além das diversidades de visões sociopolíticas dos sistemas educativos, tenha chegado o tempo de consensualizar, mais e melhor, uma base educativa universal, um ponto de partida comum, uma plataforma global de Educação para todos, tendo como fonte notáveis relatórios da ONU, UNESCO, e tantas outras organizações.

O consagrado direito à liberdade de pensamento, de ensino, de opinião e de expressão (artigos 18.º e 19.º) e o direito à educação «no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento e do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais» (artigo 26.º) confere-nos um reconhecimento e uma altíssima responsabilidade em pensar/atuar.

Nas Universidades, pela massa crítica e “cinzenta” nas 24h de cada dia, reside um elevado desígnio de Educação Superior com potencial transformador do mundo. Iluminar, com a boa luz da dignidade humana, a razão e a ciência com consciência levar-nos-á, com toda a certeza, ao futuro melhor. Com pensamento global e ação local.

*Provedor do Estudante da Universidade de Aveiro

(Artigo que se insere no âmbito das comemorações do 70º  Aniversário da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Plataforma “Aveiro Direitos Humanos” / Diário de Aveiro)