Modos de interação entre ciência e religião

Uma Questão de Dúvida

Miguel Oliveira Panão

Há quem seja contra as crenças porque essas minam a capacidade de questionar. Pessoas que partilham desta opinião em relação aos crentes pensam que a nossa fé é cega e impede-nos de pensar naquilo que acreditamos.

Se és crente, estou certo que não te identificas com o que acabei de dizer, mas será que a dúvida tem lugar no teu aprofundamento da fé? Será que a fé nos dá certezas? Ou será que a dúvida destrói a fé?

Se pensarmos bem, o que fez Jesus do alto da Cruz no momento de maior sofrimento? Duvidou.

O que fez Maria diante do anúncio do anjo? Duvidou.

O que faziam sistematicamente os apóstolos diante de Jesus? Duvidavam.

Porém, é de notar que esse momento de dúvida precede um acto de fé. “Pai, nas tuas mãos entrego o meu Espírito” (Lc 23, 46). “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). “Porque Me viste, acreditaste. Felizes os que acreditam sem terem visto” (Jo 20, 29). Nesta última citação penso como Jesus não disse – Felizes os que acreditam sem terem questionado…

A dúvida é aquele momento de pausa que nos leva a questionar. E o acto de questionar no caminho do crente não é, meramente, um acto intelectual, mas uma força motriz que o leva à acção. A procura de respostas às nossas dúvidas faz-se através de experiências. Não quer dizer que não estudemos sobre o que questionamos, pois, o estudo é também uma experiência. Mas, a um dado momento, pelo facto de Deus ser Comunhão de Pessoas, só mesmo na comunhão com os outros sobre aquilo que questionamos é que podemos encetar no caminho do aprofundamento da fé.

Questão: alguma vez experimentaste a dúvida como o caminho de aprofundamento da fé?

Blog & Autor